A Comolage do Mequinho

Autoria: Mario de Arantes.
Publicado na Folha Nova, nº 94,
em 28 de Novembro de 1915.

O Américo Olinto de Noronha Pinto (Mequinho), filho do Sr. Antonio Luiz Pinto e Dª Ana Umbelina de Noronha, nasceu em 1844, na fazenda da Cachoeira, de propriedade do casal, na Freguesia do Carmo de Pouso Alto. Mequinho foi casado com Dª Luciana de Barros.
Até a época do casamento ele era um trêfego, uma espécie de serelepe ou caxinguelê. Falava sem parar a torto e a direito, mas sempre com boa fé e convicto do que dizia. Finalmente, era uma boa alma.
Gostava de acompanhar qualquer pândego, era louco por dança. Num sarau (então dizia-se “soirée”) na nossa casa*, foi apresentado um viajante do Rio de janeiro, o Sr. F. Lage.
Esse cavalheiro tomou parte de uma contradança como ‘marcante’ e introduziu uma marca ainda não conhecida no lugar. O Mequinho acompanhou essa marca na dança, prestando muita atenção.
Bem o Sr. Lage foi embora, aventou-se a idéia de iniciar outro sarau imediatamente. E assim ele foi realizado na mesma sala.
No fim da primeira quadrilha o Mequinho postou-se com os braços abertos entre os pares e começou a gritar:
– Vamos fazer comolage; vamos fazer comolage.
Ninguém entendia essa palavra. O Mequinho continuava a gritar o seu comolage.
Finalmente o Sr. Urbano Gonçalves perguntou:
-Ó Mequinho, o que é comolage?
-Ora, pois é aquilo que o Lage fez numa quadrilha.
-Ah, é isso? Fazer como o Lage… Pois vamos fazer comolage, então!
Assim foi criada a nova marca de dança, que no Carmo ficou conhecida como Comolage.

*Essa casa foi depois propriedade do Chiquinho do Condado (Cel. Francisco Ribeiro Junqueira), e parece que hoje já foi demolida.

Mario de Arantes
Novembro de 1915

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