A Minha Crença

Publicado na Folha Nova, nº 969, 14 de outubro de 1934.

Eu creio em ti, ó terra abençoada,
Ó meiga pátria, berço onde eu nasci.
Em ti também, mantilha abrilhantada,
Sublime céu de estrelas, eu creio em ti.

Eu creio em ti, ó santo templo antigo,
Primeiro templo que, no mundo vi.
Em ti também, ó campanário amigo,
Dos velhos sinos, eu creio em ti.

Eu creio em ti meu lar, mansão querida,
De onde, chorando, certa vez parti.
Em ti também, aldeia entristecida,
Eu creio muito, sim, eu creio em ti.

Eu creio em ti, ó laranjal florido,
Onde cantava, triste, a juriti.
Em ti também, engenho envelhecido,
Sincero e velho amigo, eu creio em ti.

Eu creio em ti, campina verdejante,
Recreio imenso, prado onde eu vivi.
Em ti também, arroio murmurante,
Regato cristalino, eu creio em ti.

Eu creio em ti, ó selva misteriosa,
Formoso paraíso onde cresci.
Em ti também, pitanga saborosa,
Açucarado fruto, eu creio em ti.

Eu creio sim, e minha crença ponho
No céu, na terra, em tudo. E, finalmente,
Por crer em tudo, que sou tão tristonho,
Por crer em tudo, que sou tão descrente…

Inácio Nogueira
Outubro de 1934

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