Amália Gomes Carneiro Arantes

Autoria: Américo Pena.
Publicado na Folha Nova, nº 124,
em 25 de Junho de 1916.

Entregou a alma ao criador, no dia 23 de Junho do ano de 1916, às 9 horas da manhã, a Sra. Amália Gomes Carneiro Arantes, virtuosa e digna esposa de nosso distinto amigo Thomaz Carneiro Arantes, correto inspetor de obras do Estado de Minas Gerais.
A finada, que era o tipo perfeito da verdadeira mãe de família, inteligente, desvelada, deixa os seguintes filhos: João, Jayme, Lauro e Delorme Gomes Carneiro Arantes.
Amália era filha do honrado cavalheiro Deputado Jayme Gomes, oriunda de distinta família da cidade de Passos, e cunhada dos eminentes homens da política mineira, Lafayete Brandão e Julio Brandão Filho.
Quando para aqui veio a inditosa extinta, em companhia de seu esposo, Thomaz Carneiro Arantes, encarregado nessa zona de comissões do Governo Estadual, já o mal que custou-lhe a vida minava em seu débil corpo. Baldados foram os cuidados médicos dos facultativos aqui residentes; improfícuos os desvelos de seu esposo, de seus filhos e de inúmeras senhoras que velaram dia e noite à cabeceira da enferma.
A Parca terrível zombou de todos e de tudo, arrebatando de um lar santificado o vulto predominante da família, mergulhando esta em profunda desolação.
Ao seu enterro, que foi muito concorrido, compareceu avultado número de pessoas de todas as classes sociais. Sobre o caixão mortuário muitas coroas de flores foram depositadas.
À beira do túmulo, fazendo o elogio da finada, orou o talentoso homem de letras Jerônimo Guedes Fernandes.
Ao seu inconsolável esposo, Thomaz Carneiro Arantes, e aos seus filhos João, Jayme, Lauro e Delorme, a Folha Nova apresenta os seus mais íntimos sentimentos de condolência.

Agradecimento

Thomaz Carneiro Arantes sob a impressão dolorosa de abatimento pela perda irreparável de sua sempre lembrada esposa, na impossibilidade de agradecer pessoalmente a tantas provas de bondade e amizade do caridoso povo de Silvestre Ferraz, durante o longo tempo que seu lar se viu assaltado pela moléstia rebelde que vitimou a sua companheira de lutas, o faz por este meio, hipotecando a todas as pessoas que, por qualquer maneira, lhe ajudaram a suportar os sofrimentos originários de tais acontecimentos. A todos, pois, eternos agradecimentos.
A justiça ordena-lhe que especialize aqui os nomes respeitáveis: Dr. Sizenando Figueira de Freitas, médico caridoso, que desinteressadamente acompanhou a moléstia por espaço longo, sempre solicito às exigências da doente, atendendo prontamente a qualquer hora da noite quando a sua presença era solicitada, pondo em prática tudo o que a ciência médica e o seu saber aconselhavam para a debelação do mal; Dr. Virgílio Vieira que, carinhosamente, prestou serviços médicos, atendendo com prontidão aos chamados; Cônego Antonio Gomes de Faria Nogueira, virtuoso e respeitável pároco desta frequesia que, trazendo-nos o consolo piedoso de uma palavra cheia de caridade, constantemente esteve ao pé do leito da enferma, animando-a, com carinho, afim de sofrer com resignação a moléstia, e solicitamente atendendo às necessidades exigidas pelos moribundos; Cônego José Augusto Leite e Padre Maurício Leite, vigários de Cristina e Campos Gerais, seus velhos e dedicados amigos, que caridosamente sufragaram a sua alma, rezando nas respectivas matrizes, o santo sacrifício da missa do 7º dia após o falecimento; Maria Ferrer, Julia Pereira, Julia Monteiro, Isabel Turri, Carmelina Pereira, Balbina de Azevedo, Maria Junho e Maria Salles que, durante a enfermidade, estiveram em seu lar, dia e noite, com carinho e bondade, cuidando da medicação da doente e das necessidades reclamadas pela mesma e pelos seus filhinhos; Virgínia Turri e Adalgiza Turri que, afetuosamente, tomaram-nos em seu lar, proporcionando a meus filhos menores carinhos e cuidados verdadeiramente maternais, após o falecimento; Fernando Moreira, bom amigo que esteve sempre a seu lado, pronto a prestar-lhe relevantes serviços, reclamados por seu estado de agitação.
Assim, aqui em Silvestre Ferraz ou em qualquer outro lugar onde o destino me leve, todos terão em mim um criado agradecido, sempre pronto a lhes hipotecar os seus limitados e insignificantes préstimos.

Thomaz Carneiro Arantes
Silvestre Ferraz, Julho de 1916

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