Candida Braga Monteiro

Autoria: João do Rio Verde.
Publicado na Folha Nova, nº 1.400,
em 31 de Outubro de 1943.

Mães mineiras, santas e herócias mães mineiras, vós escrevestes nos anais do pequenino arraial do Carmo do Rio Verde epopéias emocionantes de amor maternal. Vós sois as sólidas construtoras desse suave relicário de recordações do passado imaculado da nossa terrinha natalícia, edificado com os alicerces dos vossos generosos corações, sempre inspirados nos ensinamentos do imortal e maravilhoso cristianismo.
Sentimo-nos, hoje, felizes em gravar nestas crônicas o nome saudoso duma dessas dígnas mães carmelitanas, cuja vida foi um espelho cristalino, onde se refletiam as mais peregrinas virtudes.
Evoquemos, pois, à lembrança o nome de Candida Braga Monteiro, conhecida entre os seus conterrâneos pelo doce apelido de Candola.
Era filha de Joaquim Pereira Braga e Ana Lima Braga, estimado e pranteado casal já falecido.
No dia 24 de Junho de 1894, contraiu núpcias com Francisco Fortunato de Moura, de cujo matrimônio nasceram os seguintes filhos: Ana, casada com Américo Pena Filho, e Fortunato, residentes na vizinha cidade de São Lourenço; Antonio e Lídia, casada com José Martins de Souza, residentes nesta cidade; e José, residente em Pouso Alto.
Candola e seu estimado esposo, logo após o casamento, passaram a lua de mel numa casinha rústica existente outrora no lugar onde ficava a fachada do velho Grupo Escolar Gabriel Ribeiro, à Rua Gorgulho e, na esquina, nas proximidades do morro, havia uma armazém de secos e molhados onde o Chiquinho, seu marido, fôra caixeiro quando solteiro. O estabelecimento a que nos referimos pertenceu, primeiro, a um tal Lourenço, sendo adquirido, mais tarde, pelo Francisco Bastos, antigo viajante cormercial.
Candola foi sempre apontada como esposa modelar e mãe carinhosa ao extremo, cultivando com grande desvelo e inesgotável amor a sublime religião católica.
Padecia horrivelmente de fortes ataques de asma e, como naquela época não existissem os benéficos sedativos surgidos com a evolução da medicina, ela suportava com resignação, numa verdadeira agonia, as mais tremendas e prolongadas crises.
E a vida dessa bondosa carmelitana transcorreu sempre ditosa no agradável aconchego daquele lar simples, iluminado pela fervorosa estima das famílias da nossa terra, pois todos a cercavam de profunda e sincera amizade.
Candola morreu a 16 de Janeiro de 1938, seis dias apenas após completar 60 anos de idade. Expirou piedosamente como piedosa fôra a sua existência, deixando inconsoláveis o seu velho esposo e os seus filhos extremecidos.
E assim extingui-se a vida de Candida Braga Monteiro, símbolo das benditas e veneradas mães mineiras, legando aos seus descendentes um passado dígno, clareado pelas mais belas virtudes morais e cristãs.

João do Rio Verde
Outubro de 1943

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