Carlos Ribeiro Junqueira

Autoria: João do Rio Verde.
Publicado na Folha Nova, nº 1.389,
em 15 de Agosto de 1943.

Quando, após longa ausência, visitamos o abençoado rincão onde nascemos, sentimos viver de novo aqueles sonhos dourados que nos atravessaram o espírito no desabrochar da existência, acalentando-nos a alma juvenil com as mais risonhas esperanças.
E eis que, pouco a pouco, como sombras que se erguem no horizonte nos píncaros azuis das cordilheiras ao longe, desfilam ante nós todas as fases da vida de outrora e ficamos com os olhos marejados de lágrimas da mais profunda saudade dos dias ditosos da infância distante.
Palmilhando agora as ruas da florescente cidade de Silvestre Ferraz, revejo nas suas praças e avenidas o velho e humilde arraial do Carmo do Rio Verde e, compreendo então, que não somente o antigo povoado desapareceu para sempre, mas também a minha mocidade, com todas as suas ilusões, com todos os seus fagueiros sonhos e estonteantes devaneios próprios da primavera da vida.
E, assim, vão ressurgindo na galeria das reminiscências entronizadas no meu coração, todos os vultos que nasceram ou viveram e amaram este bendito solo desta nossa querida terra mineira.
Não se recordam vocês, estimados conterrâneos, do Carlinhos Junqueira?
Que bela alma irradiando tanta bondade e simpatia.
Como é triste relembrar que tão digno e estimado carmelitano morreu em plena mocidade, deixando um traço inapagável da sua passagem pela vida no seio da população do Carmo e uma saudade imorredoura no lar feliz que ele tanto venerou.
Carlinhos Junqueira é bem uma dessas figuras imortais na história da nossa pequenina povoação de antanho. Prestemos, pois, uma homenagem de sincera saudade ao bom Carlinhos.

Carlos Ribeiro Junqueira
Carlos Ribeiro Junqueira

Carlos Ribeiro Junqueira nasceu na Fazenda da Boa Vista, neste município, a 22 de Fevereiro do ano de 1866 e, a 10 de Agosto de 1892, consorciou-se com a distinta Ana Emília Franqueira, filha de Domingos Gomes Franqueira e Mariquinha Ribeiro Franqueira.
O estimado casal teve os seguintes filhos: Maria Helena, casada com Custódio Ferraz; Elisa, casada com Mário Ferraz; Argentino, Malvina (falecida), Zuleika (falecida) Cinira, viúva de José Joaquim Lopes Júnior e que consorciou-se novamente com Mário Schmidt; Antonio Carlos, Lelê (falecida), Anita, casada com o Dr. José Gorgulho, e Carlos.
Zuleika, que foi esposa do Dr. Altamiro Coli, faleceu no dia 26 de Novembro de 1940, confortada com todos os sacramentos da Igreja, deixando duas interessantes e talentosas filhas: Diva e Alda.
Carlos Ribeiro Junqueira entregou a sua grande alma a Deus, depois de doloroso sofrimento, no dia 10 de Fevereiro de 1913 ( 12 dias antes de completar 47 anos ). Os seus funerais foram uma verdadeira e emocionante romaria de dor a que compareceram centenas de pessoas de todas as classes sociais e em todas as fisionomias se viam traços de profunda angústia pela irreparável perda.
A Câmara Municipal, onde ele, como vereador, prestou relevantes serviços, compareceu ao enterro, nas pessoas de todos os seus membros, bem como o diretório local do Partido Republicano Mineiro, as diretorias da Escola de Farmácia e do Ginásio São José, prestando todos uma derradeira homenagem àquele que partia, orvalhado com as recordações saudosas de uma sociedade inteira.
O professor Guedes Fernandes, ao baixar ao túmulo o corpo do querido Carlinhos, pronunciou, cheio de emoção, um belo e tocante discurso, provocando as mais sentidas lágrimas entre os parentes e amigos devotados daquele que já repousava o último sono no Campo Santo do torrão natal.
O número 5 do jornal Silvestre Ferraz, fundado e dirigido pelo saudoso Américo Pena, a 23 de Fevereiro de 1913, dedicou quase duas páginas ao ilustre morto, publicando na íntegra a linda oração de Guedes Fernandes.
E, decorridos trinta anos, como preito de admiração e de saudade, tributemos esta homenagem ao saudoso Carlinhos Junqueira que, há três décadas dorme o sono dos justos no regaço da eternidade, continuando, porém, sempre vivo no coração da saudosa esposa Dª Didi e dos seus filhos extremecidos.

João do Rio Verde
Agosto de 1943

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