O Escultor e a Estátua

Ao Jerônimo Guedes Fernandes Fita o cinzel; acaricia o bloco, hesitando na escolha do modelo… Deixa-o… De novo toma-o, vai revê-lo, ainda, e talha-o. Quer torná-lo uma obra-prima, antevendo as primícias da glória que o anima. Na tela da sua imaginação insinua-se, em roxas pinceladas, o vulto melancólico do Cristo, por entre as oliveiras enluaradas,… Continuar lendo O Escultor e a Estátua

Meu Segredo

Publicado na Folha Nova, nº 951, 10 de junho de 1934. À Aparecida Moreira – Pensando em ti compus estes versos desataviados, os quais tão bem traduzem a grande dor que crucia a minha alma. Guarda-os. Fi-los para ti só. Que a fatalidade nunca te chegue aos labios virginais a taça amarga da desilusão. Amaste… Continuar lendo Meu Segredo

Ninho Abandonado

Publicado na Folha Nova, nº 952, 17 de junho de 1934. À Maria Ivonete Atalecio Olha, minha amiga, um ninho abandonado… Foi feito de carícias e de beijos, Num sonho terno e alado, Em noites de luar e de desejos. Oculta-se, agora, num pedaço velho Da roxa túnica de Cristo, Encontrado, por acaso, no Evangelho…… Continuar lendo Ninho Abandonado

Os Versos da Titia

Publicado na Folha Nova, nº 953, 24 de junho de 1934. Para o Adriano A. Turri declamar. São tão tristes os versos da titia, porque nascem do fundo da alma. Vi-a chorando, certa vez, ao escreve-los. Ela é alegre quando não escreve: canta, ri, comigo brinca, pinta as unhas, tinge as faces, só não sei… Continuar lendo Os Versos da Titia

Virgem Poderosa

Publicado na Folha Nova, nº 949, 27 de maio de 1934. Maio lindo. Velho Sol, velho Céu e Primavera renovada, ressucitada. É porque tu, Maria, costumas descer à Terra, que te espera, neste mês, para a tornares nova e fulgurante. E o teu ser imaculado em toda a Natureza se derrama, a todo o instante.… Continuar lendo Virgem Poderosa

Tardes de Minha Terra

Publicado na Folha Nova, nº 945, 29 de Abril de 1934. Ó tardes, eu vos esperava, ansiosa, Para meus infantis brinquedos. Mais um ano, outro ano… e os sonhos cor-de-rosa Transformando-se vão, quando passais… Moça, eu vos contemplava, silenciosa, Na campina deserta, onde os cristais De uns olhos compreendiam a mimosa Oração de outros olhos,… Continuar lendo Tardes de Minha Terra