Categoria: Poesias

Ninho Abandonado

Publicado na Folha Nova, nº 952, 17 de junho de 1934. À Maria Ivonete Atalecio Olha, minha amiga, um ninho abandonado… Foi feito de carícias e de beijos, Num sonho terno e alado, Em noites de luar e de desejos. Oculta-se, agora, num pedaço velho Da roxa túnica de Cristo, Encontrado, por acaso, no Evangelho… …

Os Versos da Titia

Publicado na Folha Nova, nº 953, 24 de junho de 1934. Para o Adriano A. Turri declamar. São tão tristes os versos da titia, porque nascem do fundo da alma. Vi-a chorando, certa vez, ao escreve-los. Ela é alegre quando não escreve: canta, ri, comigo brinca, pinta as unhas, tinge as faces, só não sei …

Virgem Poderosa

Publicado na Folha Nova, nº 949, 27 de maio de 1934. Maio lindo. Velho Sol, velho Céu e Primavera renovada, ressucitada. É porque tu, Maria, costumas descer à Terra, que te espera, neste mês, para a tornares nova e fulgurante. E o teu ser imaculado em toda a Natureza se derrama, a todo o instante. …

Tardes de Minha Terra

Publicado na Folha Nova, nº 945, 29 de Abril de 1934. Ó tardes, eu vos esperava, ansiosa, Para meus infantis brinquedos. Mais um ano, outro ano… e os sonhos cor-de-rosa Transformando-se vão, quando passais… Moça, eu vos contemplava, silenciosa, Na campina deserta, onde os cristais De uns olhos compreendiam a mimosa Oração de outros olhos, …

Não era Poços

Vi um caminhão em chamas, Um carro capotado, Um cachorro morto na beira da estrada, Um homem e pombas revirando o lixo – Elas voaram e o homem ficou – Crianças loiras e ranhetas sobre as barrigas grávidas das mães, Cobertas imundas e sacolas no chão. Era noite e frio. “- Oi moça! Qual o …

No final é sempre eu que estou lá Me esperando É sempre eu que seguro minha mão e digo-me para me acalmar É sempre eu que vejo minhas lágrimas e espero elas secarem entre meus suspiros pesados É sempre eu que digo e escuto o que deve ser dito e escutado No final estou lá …