Desordens no Arraial do Carmo em 1816

No seu livro “A Geografia do Crime – Violência nas Minas Setecentistas”, a historiadora Carla Maria Junho Anastasia considera a inépcia, a omissão e a incapacidade das autoridades da Capitania das Minas Gerais em controlar a ordem pública no vasto e ainda pouco habitado sertão, como causa da violência e desmandos na região durante o sec. XVIII e início do séc. XIX. Na Comarca do Rio das Mortes não era menos grave a situação em seus limites com as Capitanias do Rio de Janeiro e São Paulo.

“A região onde se localizava a Freguesia de Baependi era tida, à época, como integrante do Sertão da Pedra Branca […] dedicando-se seus poucos habitantes, descendentes dos bandeirantes vindos de Baependi, Pouso Alto e Aiuruoca, à agricultura.”
“…era exatamente a ausência, a omissão ou a inépcia das autoridades que faziam dos sertões, matas gerais e serras “terra de ninguém”, paragens intocáveis, e as entregavam ao império da violência […] a tirania era exercida fundamentalmente pela violência armada e pela intimidação física.”

Neste contexto de violência, isolamento e anarquia em que os incipientes núcleos urbanos surgiam nos limites da Comarca do Rio das Mortes, também no Arraial do Carmo o problema da segurança pública preocupava aos seus moradores. Assim, já em 1816 a Câmara da então Vila de Santa Maria de Baependi solicitava ao Governador da Capitania das Minas Gerais, D. Manuel Francisco Zacarias de Portugal e Castro, a criação de uma companhia de milícias e informava já haver bastante moradores no arraial para a sua elevação a distrito.

Requerimento de Cia de Milicia Arraial do CarmoIlmo. e Exmo. Sr.
D. Manoel de Portugal e Castro

Participamos a V. Exa. que tendo ido em grande aumento o Arraial do Carmo, Freguesia de Pouso Alto, deste Termo, continuadamente há nele desordens por não haver dentro do mesmo Comandante que as acautele e proíba, em razão de morarem distante os que o dominam, e como tem de sobejo gente para um novo Distrito, convém criar-se uma Companhia para sossego do público e a bem do Real Serviço, sendo assim do agrado de V. Exa. nos queira autorizar para podermos propor Comandante para o mesmo.

Deus Guarde V. Exa. muitos anos.

Vila de Santa Maria de Baependi,
em Câmara de 18 de Fevereiro de 1816.

De V. Exa.
Súditos os mais respeitadores,
Manoel Pereira Pinto
José de Meireles Freire
Miguel José da Silva
Antônio José da Silva Rodrigues

2 comentários em “Desordens no Arraial do Carmo em 1816”

    1. Gilberto Arantes Junqueira

      A intenção, Dario, é mostrar que a existência do Arraial do Carmo é bem anterior às doações de terra para o Patrimônio da Igreja, ou à sua organização administrativa como distrito de Pouso Alto. Iremos publicar mais artigos com esse mesmo objetivo, divulgar a nossa história desde a época das sesmarias.

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