Escola Agrícola Sul de Minas – 1914

Recorte de Anuncio Escola Agrícola 1914
Recorte de Anuncio Escola Agrícola 1914

Prospecto da Escola Agrícola Sul de Minas,
publicado na Folha Nova, nº 7,
em 1º de Março de 1914.

 

A Escola Agrícola Sul de Minas, fundada nesta vila de Silvestre Ferraz e cujo principal escopo é preparar a nossa mocidade para as lutas da inteligência, preparando-a com segurança para as imensas conquistas do solo e da agricultura nacional, funcionará no antigo prédio da Escola São José e na Chácara da Conceição, onde se introduziram todos os melhoramentos para a boa marcha dos trabalhos escolares agronômicos.
A Escola Agrícola, criação que obedece a patriótico tentamen e de que tanto carecem as vindouras classes produtoras, terá um programa consentâneo, eficaz e essencialmente prático.
Premunida de todos os instrumentos agrários, de inigualável campo de demonstração, dos acessórios exigidos, de lentes e profissionais habilíssimos. de seus laboratórios, da dedicação de seus diretores à santa e nobre causa do esforço e do trabalho, ela colimará, sem dúvida, o seu fim altruísta na educação técnica dos nossos homens de amanhã.
O Brasil é um país essencialmente agrícola, e será desse solo abençoado e riquíssimo em princípios nutritivos que hão de vir todas as riquezas e todos os tesouros para a sociedade e para nossos lares.
Precisamos educar hoje nossos filhos para sondar esses infinitos celeiros que se amontoam nas entranhas da terra, dando-lhes os verdadeiros elementos da vida e do trabalho.
E o estabelecimento ora fundado, se não no todo, virá em grande parte, ao menos, colaborar na solução desse problema de benemerências e de luzes.
O curso da Escola Agrícola será teórico e prático e durará tres anos.
Aprovado que seja o aluno e concluído esse tirocínio, receberá o seu diploma de agrônomo, com todas as vantagens e regalias inerentes a esse honroso título.

É assim dividido o ensino das diversas disciplinas:

Primeiro Ano

Física Agrícola. Química Geral Inorgânica. Botânica. Desenho Geométrico e de Construção. Trabalhos práticos no campo.

Segundo Ano

Mineralogia e Geologia Agrícolas. Noções de Química Orgânica. Fitopatologia. Zoologia. Máquinas Agrícolas. Agricultura Geral. Pomicultura. Trabalhos práticos no campo.

Terceiro Ano

Hidráulica Agrícola. Zootecnia Geral e Especial. Elementos de Anatomia e Fisiologia dos animais. Bromatologia. Fermentos e fermentações industriais. Agricultura Especial. Apicultura. Avicultura. Laticínios. Medicina Veterinária. Desenho Topográfico e de Máquinas.

Haverá, em todos os anos, aulas de experimentação prática no laboratório, trabalhos no campo, exercícios com as máquinas agrícolas, experiências nas lavouras, nos museus e no horto botânico.
Abrir-se-á uma seção especial para a viticultura e para a esterilização dos frutos.
O ensino teórico e prático está a cargo de conhecidos professores e hábeis profissionais, escrupulosamente contratados pela diretoria. Um dos lentes exercerá as funções de diretor técnico.
Há uma série destinada às matérias exigidas para a admissão à Escola Agrícola e consta de :

Portugues. Frances ou Ingles. Aritmética. Álgebra. Geometria. Geografia e Corografia Brasileira. História do Brasil. Elementos de História Natural.

Enxoval

Quatro ternos de brim e um preto. Lençois, fronhas, cobertores, toalhas e calções para banho.Jarro, bacia para rosto e bacia para banhos quentes.
A casa fornece cama e colchões.
Os estudantes da Escola Agrícola deverão trazer duas blusas, de cor azul, para os trabalhos de campo.

Contribuições

Aluno interno, inclusive roupa lavada… 600$000
Jóia de entrada (uma só vez)… 50$000
Objetos escolares, no ano… 30$000
Despesas extraordinárias por conta do aluno.

Emolumentos

Ensino anual (em duas prestações)… 300$000
Taxas de exame, 1º ano… 55$000
Idem, 2º ano…120$000
Idem, 3º ano… 180$000
Requerimentos e certidões… 5$500
Exames de segunda época… 21$600

Nota

A Escola Agrícola Sul de Minas está subordinada ao Regulamento que baixou com o Decreto nº 8.584, de 1º de Março de 1911, referendado pelo Exmo. Dr. Pedro de Toledo, esclarecido e benemérito ex-ministro da Agricultura, Indústria e Comércio da União.
Seus títulos serão reconhecidos em todo o território brasileiro.
O nóvel instituto profissional representa a continuação de nossas tradições de esforço, de operosidade e de perseverança em pról dos que se levantam para as fartas messes do futuro e dos que se erguem para nosso engrandecimento econômico e agrícola. Há de ser um instituto modelo, sob todos os seus aspectos.

Silvestre Ferraz, 1º de março de 1914

Diretor-Geral – Jerônimo Guedes Fernandes
Diretor-Técnico – Dr. Paulo Bigier
Secretário – Vicente Grandinetti

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