Eterno Rompimento

Autoria: Fátima Cléo.
Publicado na Folha Nova, nº 1.389,
em 15 de Agosto de 1943.

E eras tu, grande amor, a minha vida,
O meu pouso feliz, todo esmaltado
Da mais terna esperança – a mais querida,
O qual me parecia eternizado.

Mas, numa tarde linda e inesquecida,
De triste sol poente e céu lavado,
Partiste, sem nenhuma despedida,
Ficando o meu romance inacabado.

Deixaste-me, somente, a chaga acesa,
No peito onde floriam madrigais
Que extasiavam a própria natureza.

Que voltes – não te pedirei, jamais.
E hás de ver, se voltares, com surpresa,
Que, para o teu amor, não vivo mais.

Fátima Cléo

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