Explicação e Agradecimento

Autoria: João do Rio Verde
Publicado na Folha Nova, nº 1.282
em 22 de Junho de 1941

Sinto-me sincera e vaidosamente desvanecido ao perceber os ecos de simpatia com que são lidas as ligeiras colunas insertas, de quando em quando, na brilhante “Folha Nova”, sob a epígrafe “O Carmo de Outrora”.
Evocando, com o coração desfeito em lancinantes recordações, doces reminiscências, desde os tempos do pequenino arraial do Carmo do Rio Verde, dou expansão aos meus sentimentos afetivos, bafejados por um sincero amor ao torrão natal.
Ao relembrar vultos e fatos que já se vão diluindo na grande noite dos tempos, ensino à nova geração silvestrense uma página da história da nossa terra, toda ela repassada de suave encantamento, cujos raios crepusculares de uma imensa saudade iluminam os corações de todos os carmelitanos.
Rendo, ainda, um culto de profunda admiração aos nossos queridos antepassados, àqueles que, partindo para as paragens desconhecidas do Além, continuam a viver na lembrança e na saudade dos que ficaram neste poético rincão da nossa bendita terra mineira.
Sou sobremodo grato à belíssima missiva do eminente educador Cel. Guedes Fernandes que, com palavras abundantes em fulgor e em reconhecimento, agradece o fato de eu ter escrito uma verdade por todos conhecida e sobejamente proclamada.
Ao vibrante “O Patriota”, que se edita na gloriosa e lendária cidade de Baependi, o meu sincero agradecimento às frases que precedem à transcrição “O Carmo de Outrora – Um Benemérito”.
Mario Lara, redator do referido semanário, é um abnegado educador mineiro, jornalista de pulso, ilustrado homem de letras e, todos esses atributos, dentro de um coração construído de amor e de bondade, de renúncias e de sacrifícios. A vida de Mario Lara é uma epopeia de esforços e de devotamento, guiada por uma sólida inteligência, aliada a um nobre carácter.
Jose Vieira Manso, editor-proprietário de “O Patriota”, é um boníssimo filho das risonhas plagas baependianas; é um inquebrantável lutador nas lides da imprensa, há mais de tres decênios.
Ai! quanta recordação de um passado longínquo e inesquecível ao rememorar Baependi, essa terra de encantos, habitada por um povo carinhoso e amigo.
Baependi é a síntese de toda a bondade e de toda a nobreza da nossa hospitaleira gente de Minas Gerais. Baependi, hoje como ontem, vive sempre irmanada ao nosso Carmo por estreitos elos de estima recíproca.
Perguntam: “Quem é João do Rio Verde?”
Leitores amigos, sou e serei sempre um pobre João da beira do rio que, deixando o seu anzol e o seu bornal nas margens do próximo e solitário Rio Verde, transponho a colina fronteira e alcanço a florescente cidade de Silvestre Ferraz para, em linguagem simples e despretensiosa, em páginas de amor e de saudade, reviver um passado distante e ditoso da terra em que nasci.

João do Rio Verde
Junho de 1941

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