Fazenda Pouso Alegre – Município de Carmo de Minas

Data: 1847
Pé direito: 4,00
Janelas: 1,00 x 1,80
Portas: 1,00 x 2,80

Fazenda do Pouso Alegre  Atual
Fazenda do Pouso Alegre Atual

Joaquim Jose Ribeiro de Carvalho
Joaquim Jose Ribeiro de Carvalho

Como é comum em muitas propriedades, a casa atual, embora muito antiga, não é a primeira casa da fazenda. No caso da Pouso Alegre sabemos que havia uma outra, mais antiga, onde hoje há um pomar, à esquerda da casa atual, acima do muro de pedras.
Quem construiu a casa atual do Pouso Alegre (o dono e não o mestre) foi Joaquim José Ribeiro de Carvalho, em 1847. Seu pai era o capitão Manuel José Ribeiro de Carvalho, que nasceu em 1790 e morreu precocemente em 1834, filho de Custódio Ribeiro Pereira Guimarães ou Custódio Ribeiro de Carvalho, o “Velho da Chapada”. Manuel José herdou a Fazenda Palmital e parte da Fazenda Três Barras, área correspondente ao Pouso Alegre.


Talvez pela proximidade da estrada que ligava Carmo de Minas a Cristina, ergueu à sua margem novas instalações, às quais deu o nome de Pouso Alegre. Tendo ficado órfão de pai ainda criança, Joaquim José Ribeiro de Carvalho, por ocasião de seu casamento, resolveu construir ao lado da casa paterna, onde ainda habitava sua mãe Maria Tridentina, uma pequena casa na qual constituiria família. Essa pequena casa, ao lado da casa dos pais, é a casa da Fazenda Pouso Alegre. Sua planta é um L clássico e seu fluxograma obedece rigidamente ao padrão de seu tempo.
Vista aérea
Vista aérea

Planta baixa
Planta baixa

A antiga casa, cujos alicerces de pedra formam hoje um muro que separa o curral do pomar de jabuticabeiras, tinha, de frente, sessenta e nove metros, e de lado, dezoito metros. Era, na verdade, uma imponente construção de pau-a-pique, porém de solidez e acabamento invejáveis.
Vimos nesse levantamento que o “padrão” ou o “clássico” ocorrem em menos do que metade dos casos, mas ainda assim é o que mais aparece, por isso o chamamos de clássico. Não há alpendres ou varandas; entra-se por uma sala de distribuição que dá acesso a um pequeno quarto, à sala nobre e suas alcovas e a um quarto. Um corredor reto faz a passagem para a sala da família e seus quartos.


Sala nobre
Sala nobre

Há uma peculiaridade nesta planta: um segundo corredor ligando diretamente a sala da família à sala nobre. Esta segunda ligação é muito comum, mas geralmente é feita por dentro dos quartos através de sucessivas passagens. O corpo de serviços está com suas repartições bastante alteradas, feitas com paredes de tijolos, e sua cobertura é mais baixa do que a do corpo principal. Ao que parece, esse corpo foi refeito na mesma posição do original.


Elevação frontal
Elevação frontal

Elevação lateral
Elevação lateral



Implantação
Implantação

IMPLANTAÇÃO

1. Casa Principal

2. Antigo Paiol

3. Antigo Retiro

4. Construções Complementares

5. Antigo Terreiro

6. Pomar

7. Água


Os dois telhados de quatro águas sobre o corpo principal podem até parecer, ao olhar de um pesquisador mais atento, como os “telhados múltiplos de Tavira” estudado por Orlando Ribeiro no sul de Portugal. Mas esses telhados são simples substituição ao original de quatro águas, que cobria todo o corpo principal, como podemos ver na foto antiga.

Fazenda do Pouso Alegre  Antiga
Fazenda do Pouso Alegre Antiga

Ainda com telhado antigo: telha capa e canal, 4 águas, depois foi substituído pelo telhado múltiplo ( dois jogos de quatro águas com calha ao meio) de telha francesa.


Em seu conjunto destacam-se os antigos terreiros de tijolos, cercados por muros de pedra e adobe, a tulha de madeira, o curral de pau-a-pique com dois volumes nas pontas e varanda central, os dois pomares e construções diversas ao lado do corpo de serviços. Há ainda hoje, dentro da fazenda, uma pequena estação de trem, hoje desativada, e uma capela.
Capela
Capela

Em um livro-caixa encontrado na fazenda, há registros de que, em 1864, já havia produção e comercialização de café. Portanto, isso abre precedente para a afirmação de que também houvesse produção desse grão, na época, em outras fazendas onde também encontramos terreiros. Em estudo sobre a produção econômica em Minas Gerais, em meados do século XIX, suas autoras comentam que a produção de café voltada à exportação estava concentrada em alguns municípios no sul da Zona da Mata.

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