Francisco Isidoro

Autoria: João do Rio Verde.
Publicado na Folha Nova, nº 1.290,
em 17 de Agosto de 1941.

O meu querido amigo professor Brito, a 4 de Fevereiro deste ano, por ocasião da solene inauguração das placas da rua Cap. Francisco Isidoro, cantou um maravilhoso hino de glórias à memória do ilustre e saudoso homenageado.
Dir-se-á que ainda ressoam nos meus ouvidos, como estranha sinfonia, ecos dulcicantantes da belíssima oração com que o bondoso Brito evocou a figura sobremodo venerada e inesquecível desse imortal filho do Carmo do Rio Verde.
Francisco Isidoro da Silveira Pinto soube construir um altar em cada coração carmelitano, onde o seu abençoado nome encontrará sempre um culto de carinho e de afeto, envolto em uma auréola de infinita saudade.
A Chico Isidoro bem cabe a inspirada frase de célebre poeta grego, pronunciada às margens de um lago azul, ao cobrir de louros a estátua esculpida no mármore, de um filho ilustre daquelas luminosas e encantadoras regiões da Tessália: “Foi um gigante que até o último sopro de vida glorificou a terra em que nasceu e onde as suas cinzas repousam o sono eterno”.
Francisco Isidoro, durante longos anos, guiou os destinos políticos da nossa terra, revelando-se um extraordinário condutor de homens.
Ridículo seria pretender eu, nesta ligeira crônica, enumerar os vários e relevantes benefícios por ele prestados ao Carmo e, posteriormente, a Silvestre Ferraz. Todos os grandes por que passou, então, esta terra onde ele nasceu, viveu e morreu, representam um esforço patriótico de uma vontade inquebrantável.
Nunca ele se detinha em meio de uma jornada e, por nobre ideal, lutava heroicamente até transformá-lo em realidade.
Era dotado de uma notável inteligência, de profunda cultura e possuía um verdadeiro tino administrativo, porém havia qualquer coisa nele que sobrepunha-se a todos esses atributos: era o seu coração.
Chico Isidoro só praticava o bem, pois como católico sincero, seguia, sem restrições, os ensinamentos sublimes de Jesus: amar o próximo e fazer o bem.
Vêmo-lo numa luta titânica, durante largos anos, empregando todos os recursos viáveis para conseguir a emancipação política do arraial.
Eis que em 1900 o seu velho sonho já é um fato positivo: o arraial do Carmo, como se um gênio de que nos falam os contos de fadas tocasse com a sua varinha mágica, se transforma na risonha vila de Silvestre Ferraz.
A criação do grupo escolar foi o fruto de um trabalho lento e cheio de percalços e, não fôra a tenacidade com que ele enfrentou e removeu mil e um obstáculos, não surgiria por certo em 1909 a modelar casa de instrução primária.
Foi Chico Isidoro quem escolheu o nome de Gabriel Ribeiro para patrono do mesmo (merecida e aplaudida por todos a justa homenagem tributada ao digno e estimado carmelitano de saudosa lembrança; padrão de honradez desta terra, foi Gabriel Ribeiro).
Chico Isidoro jamais tinha coragem de dizer não! Quando várias pessoas pleiteavam um mesmo lugar, ele só fazia a indicação do candidato que se lhe parecia o melhor ou que tivesse mais direito, depois de conseguir que as preteridas se conformassem e, pelo menos aparentemente, demonstrassem aceitar as razões por ele, carinhosamente, expostas.
Jornalista doutrinário e fecundo, os seus magníficos artigos lançados semanalmente nas folhas mineiras, eram, com frequência, transcritos, com comentários elogiosos, nos grandes diários do país.
A sua morte foi como se desabasse, em meio da tormenta, a coluna mestra de uma grande torre, cujo farol projetaria uma luz resplandecente através de noites profundas e impenetráveis.
Dia virá em que os meus bons conterrâneos renderão uma homenagem ainda mais alta, a que ele se tornou credor por suas excelsas virtudes e pelo muito que fez pela terra natal: erguerão, num majestoso pedestal, por entre as árvores frondosas e as flores perfumadas do jardim do largo da matriz, imortalizado no bronze, o busto varonil e sereno de Francisco Isidoro, desfraldando à posteridade, a bela e patriótica legenda: “Amou com fé e orgulho a terra em que nasceu”.

João do Rio Verde
Agosto de 1941

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