Gabriel Ribeiro

Autoria: João do Rio Verde.
Publicado na Folha Nova, nº 1.337,
em 9 de Agosto de 1942.

Há almas tão puras, corações tão generosos que, quanto mais se escoa na voragem vertiginosa dos tempos  a época em que partiram para as regiões ignotas do Além, mais os seus nomes benfazejos crescem na admiração  e na saudade dos seus conterrâneos que transmitem, à nova geração, a história dos seus feitos luminosos e a escalada triunfal das suas glórias.
Gabriel Ribeiro, eis um desses vultos inesquecíveis que, durante longos anos, soube honrar o seu abençoado torrão natal, consagrando toda a sua existência em atos nobilíssimos e, num esforço titânico, removendo todas as dificuldades que se lhe deparavam, a fim de alcançar a autonomia política e administrativa do nosso extremecido Carmo do Rio Verde.
É muito justo e até mesmo um dever de gratidão que o seu nome venerado continue a viver perenemente na alma carmelitana, coberto de bençãos e iluminado pela auréola resplandecente da imortalidade.
Gabriel Ribeiro Junqueira nasceu na fazenda denominada Condado, neste município, sendo filho do saudoso Cel. Antonio Ribeiro Junqueira. Chefiou durante largos anos a política local e, alma boníssima e espírito profundamente caridoso, os seus atos foram sempre guiados pelo coração. Daí a grande estima de que desfrutava, tanto no seio dos humildes, como nas altas esferas sociais.
Dado o seu incomparável prestígio político, conseguiu eleger-se presidente da Câmara Municipal de Cristina, então sede da Comarca.
Quando, em 1900, o Carmo foi elevado à categoria de vila, com a denominação de Silvestre Ferraz, Gabriel Ribeiro fez doação do prédio situado à rua Dª Ana Umbelina para nele funcionar a Câmara Municipal, sendo na referida Casa realizada solenemente, em 1901, a primeira assembleia dos camaristas silvestrenses.
Gabriel Ribeiro foi um devotado amigo da instrução, devendo-se ainda ao seu valoroso esforço a criação do nosso Grupo Escolar, razão por que tem o seu nome perpetuado, como patrono dessa casa de educação primária.
A primeira Câmara Municipal instalada após a independência da nossa querida terra, em homenagem aos seus inolvidáveis serviços ao Carmo, decretou que se Chamasse Gabriel Ribeiro a rua que vai do adro da Matriz ao alto do morro.
Era ele pai dos senhores Antonio Gabriel Ribeiro Junqueira (Tenentinho) e Jose Gabriel Ribeiro Junqueira (Zezeca), ambos legítimos herdeiros das grandes virtudes paternas.
Foi casado com a distinta e prendada senhora Dª Genoveva Ribeiro Junqueira e sempre residiu na sua propriedade agrícola, conhecida pelo nome de Tres Barras.
Esse grande varão, a quem a nossa terra natalícia deve relevantes feitos, morreu calma e santamente a 15 de Abril de 1904, com 75 anos de idade.
O seu benemérito nome vive ainda e jamais se apagará dos fastos de Silvestre Ferraz, escrito com as letras inapagáveis do amor, da saudade e da gratidão.

João do Rio Verde
Agosto de 1942

Agradecimentos de José Junqueira e Antonio Gabriel Ribeiro Junqueira, publicado na Folha Nova, nº 1.339, em 23 de Agosto de 1942.

“Senhor Redator da Folha Nova,

Saudações.

Mui louvável é a tarefa de João do Rio Verde escrevendo a crônica de Silvestre Ferraz, o Carmo de Outrora, fazendo, assim, conhecida da mocidade a história da nossa terra. Vê-se que João do Rio Verde é moço ainda por pequenos senões em suas narrações, aliás, muito justificáveis, pois, hoje, muito poucos silvestrenses podem dar informações exatas dos fatos e personagens de outrora para uma obra completa. Demonstra, no entanto, possuir uma inteligência privilegiada, além de um devotado amor à terra que lhe serviu de berço.
A Folha Nova, de 9 de Agosto, traz, em artigo de sua lavra, a biografia de Gabriel Ribeiro, nosso saudoso e inesquecível pai. Depois de elogiosas referências à sua atuação como homem amigo de sua terra e dirigente de seus destinos, diz ele: “Daí a grande estima de que desfrutava, tanto no seio dos pobres, como nas altas esferas sociais”.
Uma verdade que nos conforta. Basta relembrar que lançada, pelo partido a que pertencia, sua candidatura à Agente Executivo Municipal de Cristina, sede da comarca e município, e comparecendo a quase senão a totalidade do eleitorado de Silvestre Ferraz, naquela época de quatrocentos e poucos eleitores, apenas não lhe deram os votos quatro eleitores, que disseram precisar prestigiar o nome do candidato contrário, do qual eram parentes muito próximos. Não solicitou um só voto, pois considerava-se candidato, não do partido, mas, de seus amigos que eram todos os moradores de Silvestre Ferraz, sem distinção de classe ou cor política.
Levai, Sr. Redator, ao conhecimento de João do Rio Verde, pseudônimo adotado pelo articulista para melhor ocultar o seu verdadeiro nome, os nossos mais sinceros agradecimentos, agradecimentos que partem do fundo de nossos corações.

É o que vos pedem os amigos e assinantes
José Junqueira e
Antonio Gabriel Ribeiro Junqueira.

Silvestre Ferraz,
Agosto de 1942.”

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