José Joaquim Lopes Junior

Há poucos dias visitei a distinta Lia Arantes Franco, residente no velho sobrado colonial, situado no largo da Matriz. Lia é filha de Argentino Arantes e de Maria Luiza de Barros Arantes. Casada há 54 anos com o italiano Paolo Franco, que fez de Carmo de Minas a sua terra de devoção, tem o casal a alegria de conviver com sua encantadora filha, Adriana Arantes Franco, cafeicultora na região do Capinzal e excelente fotógrafa amadora. Atualmente a família Arantes Franco está em festa pela visita da bela e interessante Liliana Franco, que veio da Italia visitar seu irmão Paolo.

Após animada palestra, em que relembramos queridos antepassados, reparei que os comentários de Lia Arantes coincidiam perfeitamente com certo obituário na Folha Nova, na época do falecimento de José Joaquim Lopes Júnior. Cumprindo uma promessa feita, apresento, a seguir, a matéria escrita pelo então jovem redator Fernando Pena.

Autoria: Fernando Pena.
Publicado na Folha Nova, nº 1.142,
em 14 de Agosto de 1938.

José Joaquim Lopes Júnior

Causou grande consternação nesta e vizinhas cidades o passamento de José Joaquim Lopes Júnior, ocorrido nesta cidade, às primeiras horas da manhã de Domingo próximo passado, dia 7 de Agosto de 1938.
O doloroso acontecimento foi motivado por imprevisto e lamentável acidente, verificado na hospitaleira vivenda do saudoso morto, a fazenda Santo Antonio, situada a poucos quilometros desta cidade, que causou-lhe uma forte pancada na cabeça. Esteve, depois desse acidente, prostrado por algumas horas, reanimando-se logo depois. Volveu, alegre, à vida íntima da família e amigos, queixando-se sempre, porém, de certo mal estar e de uma dor intermitente na parte posterior do crânio, dor essa que assegurava trazer-lhe a morte. E não falhou o seu triste vaticínio. Dias depois cai de cama, em condições nada animadoras, reanimando-se, porém, mais uma vez. É transportado para esta cidade, a fim de ficar mais perto dos recursos da ciência que, desde o início da dolorosa ocorrência, não lhe faltaram. E, na manhã de Domingo último, o seu estado agrava-se de tal modo que não mais pode resistir, sucumbe.
Homem de cultura e de amplas relações sociais, o seu nome era amplamente conhecido, não só nesta cidade como em muitas outras cidades deste e de outros Estados da União, na Capital Federal, onde nasceu e conviveu por largos anos, como, ainda, na Europa, onde passou alguns anos de sua vida.
Foi, no entanto, um homem bom, simples e comunicativo, que fazia de cada estranho um amigo dedicado, depois da primeira palestra, tal a lhaneza de seu trato e bondade de coração. E aqui, onde habitou por muitos anos, fez, de cada habitante desta localidade, um dileto amigo, não sabendo nunca distinguir classes ou castas. Era amigo de todos, mormente dos pequenos e desprotegidos da sorte, aos quais sempre dispensou atenções e benefícios, razão porque foi muito pranteada a sua morte.
O sepultamento do boníssimo Lopes, que sucumbiu ainda muito cedo, pois deixou de existir aos 52 anos de idade, realizou-se no mesmo dia 7, às 16 horas, com grande acompanhamento popular desta e de cidades vizinhas, notando-se, também, a presença das altas autoridades de nossa terra, de representações das cidades de Cristina, São Lourenço e outras mais.
Deixa na viuvez a sua idolatrada esposa, Dª Cinira Junqueira Lopes, e na orfandade os filhos do casal, de nomes Oscar, Paulo e Maria da Glória Junqueira Lopes.
Esta folha, lamentando o passamento de tão bondoso amigo de todos aqueles que aqui trabalham, apresenta a Dª Cinira e seus filhos, a Dª Ana Schmidt Lopes, Dª Ana Emília Franqueira Junqueira (Dª Didi), Sr. Adolfo Lopes, respectivamente, mãe, sogra e irmão do extinto, bem como aos demais parentes da família enlutada, o sentimento do seu profundo pesar.

Fernando Pena
Agosto de 1938

 

 

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