Manifesto Republicano de 1888

Autoria de João do Rio Verde.
Publicado na Folha Nova, nº 2642, em 23 de março de 1969.

Em visita, há dias, ao Instituto Histórico de Minas Gerais, deparou-se-nos em uma velha revista, cujas páginas já se encontram esverdeadas pela pátina do tempo, a descrição do entusiasmo cívico com que a população do antigo arraial do Carmo do Rio Verde, em 1888, recebeu os propagandistas republicanos, tributando-lhes excepcionais homenagens.
Sentimo-nos sobremaneira envaidecidos com a patriótica atitude da sociedade carmense ao manifestar as suas ideias democráticas na época em que a República não passava de um mero sonho arraigado no coração de um pugilo de bravos brasileiros amantes da liberdade.
Aliás, sempre vimos na alma do povo de nossa terra uma afloração dos mais altos sentimentos espirituais, iluminados por carinhosa ternura à fraternidade universal.
Citemos, pois, alguns trechos da referida publicação histórica:
“Os propagandistas da causa republicana, percorrendo o Sul de Minas, realizaram conferências na antiga Freguesia do Carmo do Rio Verde, ficando impressionados pela nobre atitude do povo carmelitano, que assume proporções de um exército invencível no terreno da liberdade.
Na grande assembleia que se realizou no domingo, dia 21 de outubro de 1888, o major João Sílvio de Moura Rangel justificou, lendo um bem elaborado discurso, a sua posição nas fileiras monárquicas durante a vida do Senhor D. Pedro II, tendo depois o Dr. Antero de Magalhães combatido energicamente algumas objeções do orador. Falou, em seguida, o Dr. Alexandre Stockler, fazendo dramático apelo ao auditório para que se congregasse em torno da pátria moribunda a fim de salvá-la.
Discursaram, também, esposando os conceitos republicanos, os senhores Francisco isidoro da Silveira Pinto, Dr. José Paulino Ribeiro Gorgulho, Gabriel Ribeiro Junqueira e Antônio Alves Pereira.
Todos os oradores foram vivamente aplaudidos pela grande massa de pessoas presentes, sendo o manifesto republicano assinado por centenas de pessoas da alta sociedade carmelitana.”
Eis porque nos sentimos orgulhosos com o elevado patriotismo da gente carmense.
Em pleno regime monárquico o povo de minha terra, livre e vibrantemente, exteriorizava a sua preferência pela República, sem, entretanto, menosprezar a opinião do adversário, quando revestida do mais sincero propósito de ser útil ao Município, ao Estado e, enfim, à comunidade brasileira.

João do Rio Verde
Março de 1969

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