Monsenhor Francisco Alves da Cruz

Autoria: Marcelo Pereira Azevedo.
Publicado no Informe Nossa Senhora do Carmo, nº 36,
em Janeiro de 2011.

Francisco Alves da Cruz nasceu em São Gonçalo do Sapucaí, em 15 de novembro de 1939, na localidade rural da Água Comprida.
Foi o caçula dos filhos do casal José Eufrázio da Cruz e Ana Isabel Alves da Cruz. Sua mãe faleceu quando tinha apenas três anos de idade. Sem condições de criar os oito filhos menores, seu pai não teve outra opção a não ser entregar alguns deles aos cuidados de familiares. “Chico”, como Monsenhor Cruz era conhecido, passou a viver em Jesuânia, em companhia de sua tia materna, Rita Alves Nogueira, casada com Osvaldo Gomes Nogueira.
O pequeno Chico viveu de maneira muito simples, mas em meio de um lar feliz e cristão. Fez seus primeiros estudos no Grupo Escolar Dr. João de Almeida Lisboa e logo cedo tornou-se coroinha do então Pároco de Jesuânia, Cônego Cândido Silva, o célebre Padre Candinho. O envolvimento com as coisas da igreja católica foram-lhe despertando a vocação para a vida religiosa.
Em 1961, passou por breve experiência com os padres Betharramitas, em Passa Quatro e Belo Horizonte. E foi na capital mineira que, no ano seguinte, conheceu a congregação dos padres Oblatos de Cristo Sacerdote, cujo carisma é o auxilio pastoral e a assistência aos padres seculares. Ingressando nesta congregação, recebeu o seu hábito e, em 1963, tornou-se irmão religioso. Tinha início uma longa caminhada de formação católica. A congregação era de instituição recente, sendo dirigida por seu fundador, Monsenhor Januário Baleeiro de Jesus e Silva. Inspirando-se nos princípios de vida da Ordem dos Beneditinos, Monsenhor Baleeiro imprimiu urna formação rígida, que, embora fiel às mudanças do Concílio Vaticano II, buscava conservar a tradição da Igreja em vários aspectos. Esta opção, no entanto, levou a um acentuado rigor a que se submetiam os congregados. Além da dureza das regras e do regime formador, ainda trabalhavam arduamente nas fazendas onde a congregação se estabelecera.
Irmão Cruz sofreu com resignação a distância e a falta de notícias da família, pois as cartas não eram permitidas. Muitos colegas não resistiram e abandonaram a caminhada. Ele, movido pela força de Deus, perseverou diante de todos obstáculos e descobriu na música e no canto coral um dos grandes enlevos de sua vida. Em quase duas décadas, muitas foram as cidades onde viveu: Taubaté, Tremembé e São Paulo (SP); Monnerat, Engenheiro Paulo de Frontin e Petrópolis (RJ); Brasília (DF), e, finalmente, Roseira (SP), onde a congregação estabeleceu-se no Mosteiro da Sagrada Face. Lá fez seus estudos de filosofia e teologia, em preparação ao sacerdócio, interrompidos duas vezes por problemas de saúde. Finalizou-os e esperou longo tempo para ser apresentado como candidato à ordenação sacerdotal pelos superiores. Finalmente a congregação nomeou-o para a paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Virgínia, onde passou também a atuar como professor. Em 1980 foi ordenado diácono, e, um mês depois, no dia 25 de março, foi ordenado sacerdote. Ainda em Virgínia recebeu a nomeação de vigário paroquial, passando, mais tarde, a pároco. A vontade de se aproximar de sua diocese de origem, Campanha, assim como a inflexibilidade da congregação, o fizeram decidir pelo ingresso no clero secular.
Deixou os Oblatos em 1983 e, no mesmo ano, assumiu a paróquia de Santa Isabel, em Heliodora. Agora, como padre legitimamente campanhense, deu prosseguimento à vida sacerdotal. Em cinco anos realizou muitos trabalhos pastorais e materiais em Heliodora, como as reformas da igreja matriz e da casa paroquial, e a construção de capelas rurais.
Em 1988, atendendo ao apelo do Monsenhor José Carlos de Faria, veio servir como vigário paroquial em Carmo de Minas. A comunidade carmense vivia momentos difíceis devido à longa enfermidade do sacerdote que a pastoreava há 47 anos. Aqui chegando, Padre Cruz deparou-se com muito trabalho a ser feito. Tratou logo de dar novo impulso à vida espiritual, fortaleceu as irmandades e associações, fundou pastorais e reimplantou a pastoral rural. A firmeza de suas atitudes e palavras aliaram-se à sua dedicação plena ao pastoreio do rebanho a ele confiado. Zelou especialmente pela conservação da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, considerada uma das mais belas da região, reformando-a por duas vezes. Restaurou suas alfaias e parte de sua imaginária. Deu novo brilho às solenidades religiosas, cultivando e incentivando a música litúrgica de qualidade. Atendia também as paróquias vizinhas, como a do Divino Espírito Santo, em Cristina. Dedicou sempre especial atenção à promoção das vocações sacerdotais, auxiliando muitos jovens a seguirem este caminho. Sempre teve na valorização da família o principal ponto de sua ação pastoral. Seu carinho com as crianças sempre foi um traço marcante de sua personalidade.
Em 1992, recebeu da diocese a incumbência de acumular a administração da paróquia Nossa Senhora do Rosário, de Dom Viçoso, e a comunidade da Sagrada Família, de Pintos Negreiros. Sem prejuízo do intenso trabalho que já tinha, então como Pároco, após a morte de Monsenhor José Carlos, em 1994, dedicou-se muito àquelas localidades. Durante anos, celebrava cinco missas dominicais, três em Carmo de Minas, uma em Pintos Negreiros, outra em Dom Viçoso, enfrentando dificuldades de acesso e transporte. Durante a sua administração paroquial em Dom Viçoso, que durou até 1988, construiu o salão paroquial, reformou e ampliou a casa paroquial e deu início à construção de seis capelas rurais.
Os anos de intensa atividade, no entanto, abalaram sua saúde. Em uma década, passou por cinco cirurgias. Os problemas de saúde, no entanto, nunca o afastaram do trabalho, em especial, do altar e do confessionário. Atendendo a pedidos de paroquianos, a Santa Sé lhe concedeu o título de Monsenhor Camareiro de Sua Santidade, o Papa, recebido das mãos do Bispo Diocesano, Dom Diamantino, no dia 19 de novembro de 2009. A Câmara de Vereadores, reconhecendo seus 22 anos de trabalho e sua forte presença na comunidade, concedeu-Ihe o título de Cidadão Honorário de Carmo de Minas, em 22 de dezembro de 2010.

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