Não era Poços

Vi um caminhão em chamas,
Um carro capotado,
Um cachorro morto na beira da estrada,

Um homem e pombas
revirando o lixo
– Elas voaram e o homem ficou –

Crianças loiras e ranhetas
sobre as barrigas grávidas das mães,
Cobertas imundas e sacolas no chão.
Era noite e frio.

“- Oi moça!
Qual o teu signo?
Olha este colar,
Da esperança e da sorte…”

Um cadeirante estende a mão
“- Ôh dificuldade!
Ainda bem que acredito em Deus
Você…”
Não termina a fala, tem que continuar pedindo.

Na rodovia
O bandeirante protege com a mão os olhos do sol
e enxerga o alvo.

Quanta tristeza… Voltei pela estrada.
A chateação era tanta que sequer lamentei,
O estrago já havia sido feito.

1 comentário em “Não era Poços”

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