Nico Pereira

Autoria: João do Rio Verde.
Publicado na Folha Nova, nº 1.321,
em 12 de Abril de 1942

Flauzino Candido Pereira, Siô Nico Pereira, nasceu na pitoresca e lendária cidade de Baependi, a 1º de Abril do ano de 1868, transferindo ainda muito moço a sua residência para o arraial do Carmo do Rio Verde.
Em 1886 casou-se com a prendada Sra. Gabriela de Andrade Pereira, tendo o casal nove filhos, e todos eles legítimos herdeiros dos elevados predicados paternos.
Embora houvesse nascido no dia 1º de Abril, revelou-se sempre um terrível adversário da mentira, pois nem por mera brincadeira faltava à verdade.
Tinha ele a faculdade especial de conquistar amigos dedicados, atraídos todos pela sua reconhecida bondade, pelas maneiras extremamente gentís e, enfim, pelo seu imenso coração.
Residindo na sua propriedade agrícola “São Pedro”, vinha frequentemente ao povoado, pois possuia uma esplêndida casa residencial ao lado da Matriz.
Homem profundamente católico, comparecia às festas religiosas em companhia da família, oferecendo valiosas prendas para os leilões e arrematando inúmeros brindes.
No dia 19 do mês próximo passado, dia da festa de São José, em Lambarizinho – encantador vilarejo que se assenta numa colina entre majestosas montanhas e belíssimas escarpas que se sucedem numa sequência de paisagens maravilhosas – tive a feliz oportunidade de rever uma das filhas do Siô Nico Pereira, a Sra. Olivia Pereira de Melo, distinta esposa do Sr. José Alves de Melo, importante fazendeiro naquela bela localidade, zona suburbana da linda estância hidro-mineral de Lambari.
Dª Olivia, com os olhos marejados de lágrimas, recordou algumas etapas da vida de outrora na nossa abençoada terrinha natal: falou nos parentes já falecidos, expressando-se com verdadeiro carinho ao rememorar o nome de sua pranteada irmã Purcina, desdobrando, assim, uma página salpicada de recordações no grande livro da história do nosso Carmo do Rio Verde, história toda ela escrita nos corações carmelitanos, com as letras da saudade.
Quantas reminiscências me vieram, então, ao espírito, num encantamento indefinível.
O Sr. Juquinha de Melo, genro de Nico Pereira, é um desses cavalheiros benfazejos, cuja felicidade consiste em ser agradável, generoso e serviçal, motivo por que é estimadíssimo por todos os que dele se aproximam.
Ninguém melhor que o Juquinha de Melo soube seguir as pegadas impecáveis do digno e saudoso sogro.
Com o falecimento do Siô Nico Pereira, em Fevereiro de 1932, perdeu o nosso município um dos seus melhores amigos e a laboriosa classe dos agricultores ficou privada de um abnegado lutador no amanho da terra, onde ele, inteligentemente, multiplicava as suas energias e as suas atenções.
Nesta galeria – galeria de amor e de saudade – em que a “Folha Nova” e um humilde filho de Carmo do Rio Verde prestam uma homenagem à memória de queridos antepassados, não seria possível permanecer despercebido o nome desse saudoso carmelitano de coração, o qual se chamou em vida Flauzino Candido Pereira, ou simplesmente Nico Pereira, como era geralmente conhecido nessa região do Sul de Minas.

João do Rio Verde
Abril de 1942

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