O Carro de Bois do Campo Redondo

Autoria: Natália Coli de Brito.
Do livro “Campo de Flores”, edição de 2001.

Lá vai o carro de bois
Pela estrada poeirenta.
Arcados, ao peso da carga,
Vão os bois em marcha lenta

Estrada afora. Tranquilos,
Tangidos pelo carreiro,
Homem afeito ao trabalho,
Tem por guia o candeeiro,

Menino de olhos claros,
Pés descalços, aberto o peito,
Trazendo ao ombro a vara,
Olhar vivo, satisfeito.

Caminham os bois mansamente,
Agitam-se à voz do carreiro:
“Eia, Pintado”, “Vamo, Sereno”!
E pelo trilho costumeiro,

Vão em busca de descanso.
Libertam-se do calor
À sombra dos bambuais,
Das pitangueiras em flor.

Muitos anos se passaram…
Não passa mais o carreiro
Pela estrada longa e triste
Com seu fiel companheiro.

Quê é do carro de bois?
Foi-se o valente carreiro
E para o meu desalento
Também foi o candeeiro,

Menino de pé no chão,
Exemplo de humildade.
De tudo isto o que resta?
Saudade, muita saudade.

1 comentário em “O Carro de Bois do Campo Redondo”

  1. Olá, meu nome é Rodrigo Coli, sou bisneto do falecido João Coli, irmão de Natália Coli. Tenho muito interesse em saber se consigo adquirir o livro “Campo de Flores” e onde isso é possível.

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