O projeto gráfico da Folha Nova

Ao comprar a oficina tipográfica da “Procelária” , lançando-se como editor de um novo jornal, “A Folha Nova”, Américo Pena precisou criar um projeto gráfico para seu novo empreendimento. O editor já havia trabalhado em jornais de São Paulo e conhecia a imprensa do Rio de Janeiro. Não é de estranhar que buscasse a diagramação para a sua Folha Nova em algum outro jornal publicado nessas praças. Aproximava-se o início do ano de 1914, data de lançamento do primeiro número. Não muito tempo antes, circulou no Rio de Janeiro, de 1882 a 1885, um jornal homônimo, no qual podemos reconhecer toda uma semelhança de diagramação. Não sabemos se juntamente com a escolha da diagramação ocorreu a simpatia pelo nome do jornal, ou, se já havendo escolhido o nome, Américo Pena simpatizou-se com a diagramação da Folha Nova da capital. Independentemente da semelhança da diagramação, o importante é que o conteúdo noticioso foi autenticamente carmense, tanto pelos assuntos tratados, quanto pelos colaboradores de redação.

Fica aqui, portanto, apenas como curiosidade, a comparação entre os dois estilos:

A Folha Nova - Rio de Janeiro - 1883
A Folha Nova – Rio de Janeiro – 1883

Folha Nova - Silvestre Ferraz - 1914 (1)
Folha Nova – Silvestre Ferraz – 1914 (1)



Folha Nova - Silvestre ferraz - 1914 (2)
Folha Nova – Silvestre Ferraz – 1914 (2)

Entre as coincidências podemos citar:
O título com o artigo feminino, que posteriormente foi excluído.
A mesma disposição da numeração, local e data.
A largura das colunas.
O espaço para publicação do Folhetim, que em nossa Folha Nova ficava no pé da segunda página.
Interessante notar que naquele número 102, da Folha Nova carioca, de 5 de março de 1883, começava a publicação de um novo folhetim, “Casa de Pensão”, considerado uma das obras-primas de Aluízio Azevedo. Consultei várias informações bibliográficas sobre esse romance, na internet e no exemplar da editora Martin Claret. Todos informam que Casa de Pensão foi escrito em 1884, como faz a Wikipedia. Talvez a primeira edição em livro tenha saído nesse ano, mas já temos a comprovação que foi escrito e publicado em 1883.


Contra capa da edição da Martin Claret
Contra capa da edição da Martin Claret


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