O Solfejo do Tio Luiz

Autoria: Mario de Arantes.
Publicado na Folha Nova, nº 93,
em 21 de Novembro de 1915.

Tio Luiz, quando mocinho, morava na companhia do pai, Sargento-Mór Domiciano José Monteiro de Noronha, na Fazenda Monte Seco, no município de Baependi.
O moço, como amante das belas artes, estudava a música e gostava de cantar, mas, apesar da boa vontade, sua vocação não deu para o canto, pois boa voz foi o capital que ele nunca possuiu.
Certa vez o moço afeiçoado à música tentava solfejar a modinha “São pedaços de minha alma” forçando-se ou forçando a garganta a produzir uma voz maviosa ao sair qualquer pedacinho dessa alma apaixonada e de lá só saía an… an… an… an… an…
O Sargento-Mór ouvindo esses plangerosos sons chamou uma das filhas e disse:
-Luizinha, não ouve que o seu irmão está gemendo de dor de dentes?
-Meu pai, o Luiz não está gemendo, não; está cantando…
A expressão de espanto e incredulidade demorou-se algum tempo no semblante do Sargento-Mór…

Mario de Arantes
Novembro de 1915

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