O Vestido de Ruth

Autoria: Catão Junior.
Publicado na Folha Nova, nº 87,
Em 10 de Outubro de 1915.

De Ruth, o branco vestido,
Mimoso, macio e leve,
Juro, foi ele tecido
De alvos flocos de neve.

O seu olhar atraente,
De brilhos celestiais,
Sorrindo, levava a gente
Ao mundo dos ideais.

Era uma graça argentina,
O corpo dessa mulher,
Lábios de cor purpurina,
Sem um defeito sequer.

Se alguém a visse passando,
De branco toda vestida,
Com ela ia sonhando,
Deixando-lhe a própria vida.

À tarde, sob as ramagens
Das laranjeiras em flor,
Com essas alvas roupagens,
Cantava um hino de amor.

Um dia, Rturh encontrei,
De luto, triste e chorosa;
Mais bela ainda eu achei,
Essa mulher tão formosa.

Fui os seus passos seguindo,
Em busca de um olhar seu…
Qual borboleta fugindo,
Ruth , de mim, se esqueceu.

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