Vistoria na Barra - 1921

Os 80 Anos do Capitão da Barra

Autoria: Américo Pena
Publicado na Folha Nova, nº 948,
em 20 de maio de 1934

Festejou seu aniversário natalício, no dia 15 de Maio, completando 80 anos de preciosa existência, o prezadíssimo filho de nossa terra e grande amigo desta folha, Cap. Gabriel Ribeiro Junqueira Junior.
Na modestia que tanto o caracteriza, quiz o velho e honrado expoente da tradicional Família Junqueira, passar a sua data aniversária na Fazenda das Tres Barras, do nosso particular amigo Cel. Antonio Gabriel Ribeiro Junqueira, a fim de esquivar-se às justas homenagens que recebe todos os anos de grande parte da elite do nosso meio social. Porém, a bondade personificada de seu dedicado genro, Sr. Manoel de Andrade Junqueira, assim não permitiu, fazendo com que o venerável aniversariante permanecesse em sua hospitaleira vivenda, na Fazenda da Barra, a fim de passar aquele dia tão caro a todos que ali habitam, na ininterrupta alegria comunicativa de sempre, e, ao mesmo tempo, receber as merecidas homenagens a que tem direito.
Tomou, o Sr. Manoel de Andrade Junqueira, todas as providências necessárias para um lauto almoço, regado a vinhos e cerveja, que foi servido a mais de uma centena de pessoas que ali foram com o fito de abraçar o seu sogro, o acatadíssimo Capitão da Barra.
Findo o almoço, usou da palavra o fluente orador Cel. Jeronymo Guedes Fernandes, que, em palavras repassadas de muita ternura, reviveu a ação laboriosa do homenageado como homem público, na qualidade de primeiro presidente da Camara Municipal de nossa terra, como homem do trabalho, como fiel guiador de seus descendentes para bem seguirem o caminho da honra e do dever.
Relembrando esses velhos tempos e esses caros vultos do passado, nas memoráveis personalidades de Gabriel Ribeiro, de Francisco Isidoro, de Domingos Theodoro, de Francisco Ribeiro Junqueira, de Gabriel Dias de Castro, de João Dias de Castro, de Antonio Alves e de tantos outros, demonstrou que os dotes de coração e os nobres sentimentos de patriotismo, de união, de paz e de amor ao seu velho Carmo ainda palpitavam na alma serena do venerando aniversariante, pulsando uníssona ao lado de Antonio Gabriel Ribeiro Junqueira, de Jose Junqueira e de tantos outros de valor e responsabilidade como expoentes dessas tradições de ponderação, de cordura e de civismo daqueles bons velhos que já se foram.
Terminou o Cel. Jeronymo Guedes Fernandes felicitando-o por haver chegado, cheio de vida, à belíssima idade de 80 anos, sendo, ao terminar, bastante aplaudido.
Falou, a seguir, Jose Pinto de Paula Garcia, que realçou, em feliz improviso, as qualidades de alma e coração do homenageado, tecendo, em palavras possuídas de muita estima, uma como coroa de louros, que depos sobre sua cabeça, encanecida já pela neve dos anos, e por seus incessantes trabalhos em prol da coletividade de nossa terra, e, especialmente, daqueles que necessitam de um braço forte para os fortalecer e encorajar.
Os netos e bisnetos do homenageado, sua dileta filha, D. Maria Ribeiro de Andrade Junqueira, enfim, todas as pessoas daquela casa amiga, salientando, de um modo muito especial, o nosso bom amigo, Sr. Manoel de Andrade Junqueira, cumularam a todos que ali foram das mais cativantes gentilezas, tendo, todos que se retiraram, durante o percurso de volta, manifestado grande contentamento pelo modo fidalgo com que foram tratados.
Esta folha, que sempre teve no Cap. Gabriel Ribeiro Junqueira Junior, bem como no Sr. Manoel de Andrade Junqueira, e em todos os componentes da tradicional família, em cada um, um fiel amigo, tem a subida honra de felicitar mais uma vez, e o deseja fazer por muitos e ininterruptos anos de existência proveitosa, para ventura de todos aqueles que o cercam e de todo o vasto círculo de seus bons amigos.

Américo Pena
Sylvestre Ferraz, Maio de 1934.

Américo Pena

2 comentários em “Os 80 Anos do Capitão da Barra”

  1. Olá, meu nome é Daniel. Tenho 12 anos, nasci em 21/08/2001! Esse capitão, conhecido como Capitão da Barra, ele é meu parente, meu quinto-avô. Então, vou contar uma história: Fui em uma cachoeira, a Cachoeira da Barra, entre os municípios de Soledade de Minas e Carmo de Minas, e lá fiquei sabendo que ele era meu parente. Quando meu avô contou isso, eu falei para ele: Vô, ele é meu parente? Ele falou: Claro. E ele era uma pessoa de genio irritado, temida por muita gente daqui. Aí eu lembrei que o sangue dele corre em minhas veias, sim. Fiquei chocado!
    Quando me contaram que ele foi meu quinto-avô, eu pesquisei na INTERNET e encontrei esse artigo. É legal ter um parente capitão!

    1. Folha Nova

      Sem dúvida que é legal, Daniel. Ele era capitão da Guarda Nacional, criada no período regencial, após a abdicação do imperador D. Pedro I. Pesquise esses temas que também são muito interessantes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.