Os Filhos de Maria Ribeiro de Carvalho

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Custódio Ribeiro de Carvalho Junior

Era padre. Nascido em fins de 1783, foi batizado em Pouso Alto em 09 de Janeiro de 1784. Dotado de extraordinária compleição física e invejável vigor, foi o Padre Custódio o proprietário da Fazenda do Jardim, hoje no município de Itanhandú. Esta fazenda, poucos anos atrás, possuia ainda por volta de 2.500 hectares, sendo famosa pelo seu extraordinário plantel de gado holandes preto e branco e pelos seus excelentes produtos de laticínios, especialmente o doce de leite e o leite condensado. Padre Custódio faleceu na provecta e incrível idade de 115 anos.

Francisco Ribeiro de Carvalho

Nascido por volta de 1785\1786, permaneceu na fazenda paterna, ficando conhecido, por isto, como sendo o segundo “Velho da Chapada”. Da Fazenda da Chapada já não restam mais vestígios, apenas seu glorioso nome, que se encontra gravado na memória e nos corações dos descendentes de seus antigos proprietários. Os numerosos descendentes de Francisco se encontram, principalmente, em Itanhandú, Virgínia, Pouso Alto, Itamonte, São Sebastião do Rio Verde, Passa Quatro e, ainda, por várias outres cidades do sul de Minas Gerais.

Joaquim Ribeiro de Carvalho

Nasceu entre 1789\1790. Herdou de seu pai a parte central da Fazenda das Três Barras, em Carmo de Minas. Considerando esta fazenda um pouco pequena para o seu gosto, pois, após dela terem se desmembrado as Fazendas do Condado e do Pouso Alegre e tendo ficado entre estas duas fazendas, que tocaram à seus irmãos, Joaquim vendeu-a, a seguir, a eles (Manoel José, do Pouso Alegre e Antônio José, do Condado). Manoel José comprou uma área correspondente a parte da atual Fazenda do Córrego Fundo. Antônio José ficou com todo o restante, ampla faixa de terra que se estendia do alto da Serra das Três Barras, limítrofe a Cristina, até quase atingir a cidade de Carmo de Minas. Constava a fazenda de montanhas e várzeas das mais férteis da região. Tendo comprado do irmão a quase totalidade das Três Barras, que deveria ter, na época, aproximadamente 2.500 hectares, Antônio José ficou sendo o proprietário desta e do Condado, assim como de suas respectivas sedes. Era considerado, então, como sendo o mais rico fazendeiro daquelas plagas.
Após ter vendido à seus irmãos as Três Barras, Joaquim Ribeiro de Carvalho partiu para Santa Rita do Sapucaí, onde comprou a grande Fazenda do Sobradinho, ainda hoje formada por solos muito férteis, e que grangeou merecida fama. Dentro de suas antigas fronteiras estão hoje as atuais Fazendas do Sobradinho, Balaio, Balainho, Capituva e quantas outras mais.
Joaquim Ribeiro de Carvalho casou-se duas vezes: a primeira, ainda muito jovem, em 26 de Outubro de 1807, com Maria Isabel Pereira, com quem deixou geração. A segunda, com Maria Ribeiro de São José, também com descendentes.
Conhecido na família como o “Velho do Sobradinho”, foi ascendente do Capitão de Santa Rita, cujo verdadeiro nome desconheço, e dos atuais Ribeiro de Carvalho daquela cidade.

Capitão Manoel José Ribeiro de Carvalho

Nascido entre 1790 e 1791, casou-se com Dona Mariana Tridentina Junqueira, no dia 14 de Outubro de 1818, na Matriz de Nossa Senhora de Monteserrate, em Baependi. Era Mariana Tridentina filha do Capitão Joaquim Bernardes da Costa, batizado em 26 de Julho de 1755, e de Ana Francisca do Valle, que depois de casada passou a se chamar Ana Cândida Junqueira. Ana Francisca (ou Ana Cândida) era filha do Patriarca e fundador da família Junqueira, Capitão João Francisco Junqueira e de Helena Maria do Espírito Santo (batizada em 16 de Junho de 1737).
Capitão Manoel José Ribeiro de Carvalho foi herdeiro da Fazenda do Palmital e de parte da Fazenda das Três Barras, área correspondente à Fazenda do Pouso Alegre. Talvez pela proximidade da estrada que ligava Carmo de Minas a Cristina, ergueu à sua margem novas instalações, às quais deu o nome de Fazenda do Pouso Alegre e onde, então, passou a residir. Como era de costume na família, ficou conhecido como sendo o “Velho do Pouso Alegre”. Suas terras deveriam exceder os 4.000 hectares, descontando aquisições futuras e a herança recebida por sua esposa, Mariana Tridentina, a qual foi muito grande.
O Capitão Manoel José Ribeiro de Carvalho morreu precocemente, no dia 18 de Dezembro de 1834. Seu inventário foi feito no ano seguinte, em 1835. Segundo o mesmo, além das vastas extensões de terra, o Capitão Manoel José deixou, também, muitos bens em ouro e outros objetos de grande valor.

Coronel Antônio José Ribeiro de Carvalho

Nasceu entre 1792 e 1 793. Conhecido entre os familiares como o “Velho do Condado”, fundou esta fazenda de área desmembrada da Fazenda das Três Barras. Comprando a quase totalidade desta do seu irmão Joaquim, acabou por se tornar o mais rico dos seis irmãos. Antônio José fazia parte do “seleto” clube dos três homens mais ricos da região. Os outros dois eram: seu irmão acima mencionado, Manoel José, e Antônio Joaquim de Oliveira, mais conhecido como o “Alferes Antoninho”, sobrinho neto do Padre José Dutra da Luz, fundador da enorme Fazenda dos Alpes, em Cristina.
Era Antônio José fazendeiro e capitalista dos mais importantes da então Freguesia da Nossa Senhora do Carmo.
A Fazenda do Condado abrangia, dentro de seus limites, as atuais fazendas do Condado, Mata-Porco, Urutú, Cambará, parte do Engenho, Pico Agudo, Covóca, Cabacinhas, Campo Redondo e as grandes fazendas do Capinzal e Boa Vista, além de várias outras menores. Era o Condado bastante grande, rico e próspero. Situado aos pés da Serra das Três Barras, incluía o ponto culminante do município, na atual fazenda da Boa Vista, com 1654 metros de altitude. Começava no alto daquela serra, fazendo divisa com o município de Cristina, descia as encostas limitando com o atual município de Dom Viçoso, atravessava por detrás da cidade de Carmo de Minas e ia atingir o atual Bairro dos Campos, divisando com a Fazenda do Aterrado, próximo à divisa do município de São Lourenço. Com milhares de hectares, era bem maior que o Pouso Alegre.
Antônio José Ribeiro de Carvalho, tendo ficado viúvo e sem filhos, casou-se em segundas núpcias com Helena Nicésia Junqueira de Andrade, filha de Gabriel Francisco Junqueira, o primeiro Barão de Alfenas, e de Dona Inácia Constança de Andrade.
Tiveram Antônio José e Helena Nicésia dezenove filhos, quinze dos quais chegaram a idade adulta.
Durante a Revolução Liberal de 1842, Antônio José, juntamente com outras proeminentes figuras da região, chefiou os revoltosos de nossa terra, dando total apoio à seu sogro, Gabriel Francisco Junqueira, um dos líderes da dita revolta.
Ainda hoje, na praça central de Carmo de Minas, ergue-se imponente sobrado colonial edificado por Antônio José Ribeiro de Carvalho, tendo em sua fachada a data de 1860, ano de sua primeira reforma, e as iniciais AJRC de seu antigo proprietário. Não pude descobrir a época de sua construção. É um verdadeiro cartão postal da cidade e um monumento ao seu edificador. Tendo recebido uma segunda reforma há poucos anos, encontra-se em excelente estado de conservação. Pertence este magnífico solar a descendentes do seu construtor.
Antonio José Ribeiro de Carvalho foi, também, grande benemérito de Carmo de Minas, tendo doado à Igreja Católica a construção de uma igrejinha, dedicada a São Sebastião, situada à Rua João Coelho, no alto da cidade. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, construída em 1832, o tem como um dos seus maiores contribuintes. Em sua memória a antiga Rua Direita passou a denominar-se Rua Coronel Antonio Ribeiro.

João Ribeiro de Carvalho

Nascido em 1795, casou-se com sua prima-irmã Francisca Ribeiro de Jesus, filha do Alferes Miguel Ribeiro de Carvalho e de Inácia Maria de Jesus, casados em 1791. Miguel Ribeiro de Carvalho era irmão de Dona Maria Ribeiro de Carvalho, mãe de João Ribeiro de Carvalho.
João Ribeiro de Carvalho e Francisca Ribeiro de Jesus foram os proprietários da Fazenda Paracatú, em Virginia e Passa Quatro. Esta fazenda, que abrangia das melhores terras naqueles municípios, quando dividida entre seus descendentes, deu origem às importantes fazendas do Maranhão, com cerca de 4.000 hectares de terras fertilíssimas, Água Limpa, Ribeirão, Muquém, do Porto, além do remanescente da própria Paracatú. Além dessas, surgiram inúmeros sítios e fazendolas que, na sua quase totalidade, ainda hoje pertencem aos herdeiros de João Ribeiro de Carvalho. Neste ponto, faço uma pequena observação. Existem em Virgínia três fazendas com o mesmo nome de Água Limpa. A Água Limpa de Cima é a que acabo de mencionar. Existem, ainda, a Água Limpa do Meio, que teve como proprietário meu avô, Zéca do Pouso Alegre, e a Água Limpa de Baixo, que nada tem há ver com este trabalho. Também não se deve confundir estas fazendas com a Água Limpa existente no município de Cristina.
Situava-se o Paracatú nas abas da Serra da Mantiqueira, subindo por seus contrafortes, descendo vales e grotões, atingindo picos e várzeas agrestes. Era um ambiente de insofismável beleza selvagem daqueles tempos idos.
A casa sede desta fazenda, a qual conheci anos atrás somente de vê-la ao longe, deveria ser centenária. Encontrava-se quase ao fundo de um vale aberto, aos pés da majestosa serra. Infelizmente, alguns anos depois pegou fogo, sendo totalmente destruída.
João e Francisca tiveram pelo menos sete filhos, dos quais conheço apenas os que a seguir enumerarei. São eles:
1) Capitão Manoel José Ribeiro de Carvalho Guimarães, casado com a sua prima Helena Constança Ribeiro de Carvalho, filha de seus tios Manoel José Ribeiro de Carvalho e Mariana Tridentina Junqueira. O “Almanach Sul-Mineiro” para o ano de 1874, editado na cidade de Campanha por Bernardo Saturnino da Veiga, cita o Capitão Manoel José Ribeiro de Carvalho Guimarães como sendo um dos oito Eleitores Gerais da então Freguesia de Nossa Senhora do Carmo, assim como também é citado entre os fazendeiros mais importantes e um de seus principais capitalistas.
2) Mariana Ribeiro de Carvalho, casada com Joaquim José Ribeiro de Carvalho, da Fazenda do Pouso Alegre, também seu primo e irmão de Helena Constança.
3) Anna Ribeiro de Carvalho, casada com o Capitão Matheus Antônio da Luz.
4) Gregório Ribeiro de Carvalho Guimarães.
5) Genoveva Ribeiro de Carvalho, casada com José Joaquim Pires, que era português. Foram os proprietários da grande Fazenda do Maranhão, em Virginia, que fazia parte da Paracatú.
6) Capitão Custódio Ribeiro de Carvalho Guimarães, casado com Mariana Tridentina Ribeiro de Carvalho.
Ficou João Ribeiro de Carvalho conhecido, como era costume na família, como sendo o “Velho do Paracatú”.
Destes seis filhos de Maria Ribeiro de Carvalho, Manoel José e Antonio José se radicaram a Carmo de Minas e aqui constituíram suas famílias. É deles e de seus descendentes que iremos nos ocupar nos capítulos seguintes.

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Copyright © 2004 – Junqueira, Walter Ribeiro.

3 comentários em “Os Filhos de Maria Ribeiro de Carvalho”

  1. joao antonio nogueira filho

    Bom dia, Walter Ribeiro Junqueira, tenho me amparado em seus artigos para chegar a meus ascendentes mais antigos, e consegui. Sou da família Ribeiro, de Virgínia, trineto de João Tito Ribeiro de Carvalho, antigo proprietário da Fazenda do Maranhão, e gostaria de conversar com você a respeito de descendências, trocar informações e fotografias. Desde já agradeço.

    1. Folha Nova

      Esteja certo, João Antonio, que em breve terá contato com nosso caro amigo Walter Ribeiro Junqueira.

  2. Eduardo Carvalho

    Incrível, parabéns, sou bisneto de José Ribeiro de Carvalho, que se estabeleceu em Itanhandu, não tenho certeza , porém meu bisavô seria neto de Francisco Ribeiro de Carvalho.

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