Os Versos da Titia

Publicado na Folha Nova, nº 953, 24 de junho de 1934.

Para o Adriano A. Turri declamar.

São tão tristes os versos da titia,
porque nascem do fundo da alma.
Vi-a chorando, certa vez,
ao escreve-los.

Ela é alegre quando não escreve:
canta, ri, comigo brinca,
pinta as unhas, tinge as faces,
só não sei se tinge os cabelos…

Ó Musa entristecida,
se não deixasses chorar a titia,
que tanto quero e tanto adoro,
num lindo altar te colocaria.

Mas nem tu sabes quanto te detesto.
Não quero que a titia faça
nem mais um verso,
porque, se a vejo triste,
na tristeza fico imerso.

Vou trocar-lhe a roxa lira por um cetro;
vou vesti-la com a púrpura do meu amor;
far-lhe-ei, da luminosa constelação
dos beijos meus,
a brilhante, a riquíssima coroa,
e titia há de ser alegre e sempre boa.

Vou torná-la, na terra, a única rainha
de um trono sem igual, o mais perfeito:
o que está bem guardadinho no meu peito.

Fátima Cléu
Junho de 1934

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