RuaPadreCardoroso1918

Pavoroso Incêndio no Centro de Silvestre Ferraz

Autoria: Fernando Pena.
Publicado na Folha Nova, nº 1.344,
em 27 de Setembro de 1942.


Rua Padre Cardoso em 1939
Rua Padre Cardoso em 1939 – A casa de Elisa Gorgulho era a segunda à esquerda, abaixo da casa da família Noronha
Ontem (Sábado, 26 de Setembro de 1942), de madrugada, foi a população local surpreendida com um alarme de incêndio, verificado em pleno centro da cidade. Tratava-se do vasto prédio de propriedade de Dª Elisa Gorgulho, localizado na rua Padre Cardoso esquina com a travessa Sete de Setembro, ao lado do Jardim, onde também se encontrava localizada a casa comercial dos irmãos Miguel e Neif Chaib, no andar térreo.
Embora ao alarme acudissem numerosas pessoas, ao princípio, e grande massa popular, pouco mais tarde, foram baldados todos os esforços envidados no sentido de apagar o fogo.

Avultado prejuízo causado pelo incêndio

Rua Padre Cardoso em 1947
Rua Padre Cardoso em 1947 – Restou apenas a base do casarão do Dr. José Paulino Ribeiro Gorgulho – o Dr. Zeca
Estando o prédio sem moradores e também a casa comercial sem um vigia sequer, as chamas se alastraram com rapidez e, quando acudiram, era tarde demais. Nada se salvou do incêndio. Foi queimado todo o estoque comercial (sacaria, conservas, alcool, pinga, querosene, etc.) e bem assim toda a mobília do andar superior, ruindo a casa, tal a voracidade do fogo. Calcula-se o prejuízo completo em cerca de cem contos de réis, nada estando segurado, ao que sabemos.
As causas que deram origem ao incêndio são ainda desconhecidas e, ao nosso ver, difíceis de serem descobertas, diante do montão de ruínas que ficou no local do sinistro.
Desacostumada que está com tais casos, a nossa população alarmou-se e com razão, em face da lamentável ocorrência, pela rapidez com que se manifestou o incêndio, pelo ineditismo em nossa terra e pelo tom dantesco que apresentava aquela enorme fogueira, a consumir tudo que encontrava ao alcance de suas chamas.
Felizmente não houve vítimas a lamentar em todo o acontecimento, estando a polícia em diligências, com abertura de inquérito.
Finalizando, não podemos deixar sem um registro a nobre atitude de todos que procuraram combater as chamas e, sobretudo, impedir que o fogo se alastrasse pelos prédios vizinhos, especialmente a casa residencial da família Noronha, a mais ameaçada de propagação devido à pequena distância que guardava do prédio em chamas.

Fernando Pena
Silvestre Ferraz, Setembro de 1942

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