Pedro Franqueira

Autoria: João do Rio Verde
Publicado na Folha Nova, nº 1.315,
em 22 de Fevereiro de 1942.

Esta página é vossa, meus caros e jovens silvestrenses. Vós sois o alvorecer da existência e em vossas almas desabotoam as flores da alegria, iluminadas pelos raios resplandecentes do sol da felicidade.
Deixai, porém, por alguns momentos os vossos folguedos e os sonhos dourados próprios da primavera da vida e vinde conhecer um moço carmelitano que, heroicamente, soube trocar a coroa do martírio por uma coroa de glórias, porque aceitou com resignação de santo a cruz infinitamente dolorosa que lhe foi imposta pelo destino.
Pedro Franqueira, no verdor dos anos, na época em que a imaginação se enche de sonhos, viu-se segregado da família e da sociedade, atacado por terrível moléstia incurável, juntando-se ainda ao grande sofrimento físico, uma incomensurável dor moral.
Ele demonstrou, então, possuir um espírito inquebrantável e um coração onde afluiam os mais puros sentimentos de caridade e de amor ao próximo.
Nas horas intermináveis de angústias, enfrentou o infortúnio com um sorriso a enflorar nos lábios e jamais blasfemou.
De sua pequenina vivenda, à margem da Estrada de Ferro, ao lado da chácara da família Rangel, ele contemplava, na outra banda, o risonho povoado e, de vez em vez, chegava aos seus ouvidos a voz álacre dos conterrâneos, lá na encosta da colina fronteira, onde alvejava o casario da terra natal.
Nunca ele lamentou a sua triste sorte, ao contrário, mostrava-se risonho e só lamentava uma preocupação: socorrer os pobres e e auxiliar as viúvas desamparadas.
Pedro Franqueira era dotado de tão elevados predicados morais que, na desventura, procurava ainda confortar a sua velha mãe – verdadeiro anjo tutelar – que, santa e carinhosamente e por largos anos, acompanhou o sofrimento sem limites por que passou o filho dileto.
Meus queridos conterrâneos, vós que representais a nova geração silvestrense, buscai conhecer melhor e em todas as suas minudências o que foi a vida abnegada desse saudoso carmelitano.
Sêde bons e generosos como Pedro Franqueira soube sê-lo e, na adversidade, segui o seu estoicismo de mártir sempre conformado com a vontade da divina providência. Praticai a caridade e amai sempre o vosso semelhante. Lembrai-vos, nas horas de provações, a fortaleza de ânimo com que ele zombou da dor e da própria morte.
Guardai, enfim, no recôndito de vossas almas o nome de Pedro Franqueira, símbolo da mais sublime resignação com a suprema vontade de Deus.

João do Rio Verde

Fevereiro de 1942

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