Pranto e Riso do Coração

Para o José Fernando Atalécio
Autoria de Fátima Cléo.
Publicado na Folha Nova, nº 933,
de 21 de Janeiro de 1934.

Nesses loiros anéis dos teus cabelos,
Tão loiros, tão macios, tão perfumados,
Passam uns longes, passam… Sem detê-los,
Choro uns carinhos, cedo, a mim roubados…

Era irmãzinha tua, assim o creio,
A Ruth que partiu… deixando o brilho
Do olhar divino, a ti, num suave anseio…
– É por isso que julgo que és meu filho!

O teu sorriso, que semelha o dela,
Ilumina-me as trevas do caminho;
É o teu amor, parece, que me vela…
Certo te julgas, já, um homenzinho!

Essa tua boquinha nacarada,
Tanta alegria para mim encerra;
Quando a ouço chamar – “Titia amada”,
Maior ventura posso ter na terra?

Os teus dentinhos claros, muito claros,
– Fio branco no céu esculturado
Nesses flocos de nuvens que são raros –
Recordam-me um diadema de noivado…

A correr e a brincar dias inteiros,
Alegras minha vida sem jardim…
Cintilas nas ruínas dos canteiros,
Não sei se és beija-flor ou querubim!

Fátima Cléo
Silvestre Ferraz, Março, 1932

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.