Professora Terezinha Nogueira

Autoria: João do Rio Verde.
Publicada na Folha Nova, nº 1.340,
em 30 de Agosto de 1942.

Gratidão!
Eis uma das mais belas palavras que enriquecem o nosso formoso idioma pátrio; eis um dos mais sublimes sentimentos que palpitam na alma humana.
Evocando, de quando em quando, corações generosos e espíritos beneméritos que aqui viveram outrora, seria não escutar os nobres arpejos da gratidão se deixasse passar despercebido o nome benfazejo de Dª Terezinha Nogueira.
O nosso arraial do Carmo do Rio Verde, ora imortalizado nestas crônicas de amor e de saudade, rende hoje um merecido preito de reconhecimento àquela abnegada professora que, durante perto de tres décadas, prestou valioso e inesquecíveis benefícios à instrução primária da nossa terra.
Dª Tereza de Jesus Nogueira nasceu na vizinha cidade de Pouso Alto a 10 de Maio de 1857, vindo para o Carmo ainda bem moça. Era irmã do venerado padre Antonio Gomes de Faria Nogueira que, com o mais profundo amor fraternal, a educou num colégio religioso na lendária e poética cidade de Mariana, sob a proteção do santo e sábio Dom Silvério Gomes Pimenta.
Ela casou-se no Carmo no ano de 1886, com o saudoso e estimado cidadão Olimpio de Oliveira Bernardes, natural de Dom Viçoso, tendo o casal 9 filhos, estando 6 vivos, os quais cultuam com saudade e afeto a memória dos pais.
O sr. Olímpio Bernardes morou muitos anos na sua propriedade agrícola denominada Santa Cruz do Pinhal, tendo falecido a 27 de Dezembro de 1916.
O primogênito do casal, Jose Nogueira de Oliveira, ocupou durante vários anos o cargo de prefeito do nosso município, levado por uma forte facção eleitoral, tendo, porém, com patriotismo e desprendimento, renunciado ao respectivo mandato por ocasião da pacificação política da nossa terra.
Quando me recordo dos tempos idos da minha infância, vejo, numa visão longínqua, através das páginas do passado desfolhadas no meu pensamento saudoso, aquela senhora piedosa, em cujo coração se agasalhava uma sincera e inquebrantável fé cristã.
Dª Terezinha, nas horas amargas de incertezas e de angustias, tão próprias deste vale de lágrimas, não se queixava nem blasfemava; ao contrário, deixava sempre desprender docemente dos lábios uma frase estóica, imersa na mais comovente resignação: “Seja tudo pelo amor de Deus.”
E a sua vida foi toda ela um culto ao trabalho, uma dedicação carinhosa aos filhos queridos e um hino fervoroso de amor a Deus.
Morreu resignada e confortada com os sacramentos da religião católica, tendo a população do município lamentado profunda e sinceramente o claro que, com a sua morte, se abriu no seio da sociedade silvestrense e, principalmente, nos meios educacionais.
Foi no dia 28 de Janeiro de 1928 que se deu o triste passamento dessa grande educadora.
Esta homenagem é, pois, o tributo da mais merecida gratidão que o Carmo de antanho presta àquela alma santa que se chamou em vida Tereza de Jesus Nogueira, ou simplesmente Siá Terezinha, como por todos era conhecida.

João do Rio Verde
Agosto de 1942

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