Realidade

Silêncio, coração… Não chores tanto…
Esconde o soluçar dessa ansiedade,
Sepulta os ais pungentes da saudade
Nas estrelas doridas do teu pranto.

Não saiba o mundo que há, em um recanto
Das tuas fibras – tétrica verdade -,
Uma chaga profunda que te invade,
Misteriosa, intangível por enquanto…

Oculta-a, sim; mas vê de que maneira
O fazes, coração. Se for ouvida,
De lamento em lamento, a dor primeira,

Tens que sofrer o escárnio que aparece
No sorriso feliz de quem, na vida,
Nunca teve uma chaga que enlouquece.

Fátima Cléo
Silvestre Ferraz, Março de 1931

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