Requerimento da primeira capela de Nossa Senhora do Monte do Carmo – 1806

Requerimento para erigir a primeira capela com invocação de Nossa Senhora do Monte do Carmo.

(Transcrição de Gilberto Arantes Junqueira)

Requerimento primeira capela 1806

Senhor,

Dizem Francisco Vieira Carneiro, o Capitão João Fernandes da Silva e outros, da Freguesia do Pouso Alto, Termo da Vila da Campanha da Princesa, Comarca do Rio das Mortes, da Capitania do Rio de Janeiro, que carecendo muito do Pasto Espiritual, pediram ao Desembargador Provedor das Capelas e Resíduos lhes facultassem licença para erigirem uma Capela com invocação de Nossa Senhora do Monte do Carmo, na paragem chamada Ribeirão do Carmo, daquela mesma Freguesia, como se vê da petição inscrita no Instrumento junto, e logo, com zelo católico, começarão a erigir na dita paragem a desejada Capela, não perdendo tempo nem poupando despesas, pois que as coações que os moviam a tão piedosa obra eram tão urgentes e fatais, quais as constantes inundações consecutivas à rigorosa intumescência e enchente do Rio Verde, por efeito da qual não podem os suplicantes, senão com manifesto risco de vida, congregar-se na Freguesia Matriz, sendo esta a mesma razão porque o seu Pároco lhes não pode administrar os Sacramentos nas ocasiões oportunas e de última precisão, mormente naquelas povoações que lhe ficam na longa distância de mais de oito léguas, resultando daqui as lamentáveis consequências de morrer muita daquela gente sem Sacramentos e ser enterrada em lugares profanos. Para conclusão de negócio tão importante resta que Sua Alteza Real confirme aquela licença, o que os Suplicantes humildemente lhe rogam, mandando simultaneamente que a mesma Capela seja Curada e provida no Capelão que nela existir, concedendo-lhes de mais a mais tempo suficiente para inteiro complemento dela, em que tanto se empenham que já tem apurado o seu congruente Patrimônio.

Haja vista o Desembargador Procurador da Fazenda.
26 de Agosto de 1806.

Haja vista o Desembargador Procurador da Coroa.
10 de Setembro de 1806.

Requeiro competentemente.
17 de Setembro de 1806.

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