São Lourenço Estação Hidromineral – 1952

SÃO LOURENÇO ESTAÇÃO HIDROMINERAL

(ESBOÇO HISTÓRICO)

Separata de Brasil-Médico nº 51 e 52, Dezembro de 1952

Autoria de P. A. Pinto da Rocha

1Reavivar fatos, episódios e grandes lutadores, esquecidos ou ignorados; fixar uma tradição oral que o tempo vai diluindo, até perda total; prestar sincera homenagem a um formoso pedaço da terra brasileira, bem como a seus filhos patriotas, hospitaleiros dinâmicos e atualizar um longo capitulo de esforço titânico, da história médica do Brasil, eis as quatro razões deste ensaio, sem outro mérito que a espontaneidade.
No fundo, alicerçando-lhe a estrutura, a obra de Synésio Fagundes, verdadeira, viva, fecunda e encantadora. No revestimento, nos adornos e no acabamento, os depoimentos, os “casos”, as histórias, que joeiradas de boca em boca, se argamassam as observações pessoais e usadas no arremate, com escrúpulo e objetividade. Sem pretenções, portanto. Querendo ser útil, sem ao certo saber se o é. Resta o consolo da sabedoria popular, quando afirma: “Que o que vale, é a intenção”.

P. A. Pinto da Rocha
São Lourenço, 20 de Fevereiro de 1952.

A CONQUISTA DO SERTÃO

De 1560 a 1781, as “bandeiras” que corriam atrás do sonho das esmeraldas, foram as penetrações ousadas e gloriosas, que aos poucos abriram o caminho para esse rincão admirável que no Sul de Minas engloba, em nossos dias, as estâncias hidrominerais e climáticas de São Lourenço, Caxambu, Cambuquira e Lambari.
Do roteiro de Braz Cubas a Matias Cardoso e André Furtado, decorreram 221 anos de incursões audazes, encabeçadas por João Ramalho, Martins Corrêa de Sá, Anthony Knivet, Cap. Félix Jacques, João Corrêa, Diogo Laço, Francisco Provença, João Prado, Afonso Sardinha, Marco Azevedo, Matias Cardoso, André Furtado, Fernão Dias e Lourenço Castanho (o Velho), que seguindo trilhas anteriores ou explorando novas sendas partindo de Lorena, Taubaté ou Rio de Janeiro, vadeando o Paraíba, contornando ou galgando a Mantiqueira, varando os campos de Cunha, alcançando o desfiladeiro do Embaú, as cabeceiras ou o vale do Rio Verde, por ele descendo ou ultrapassando-o em outras direções para o Sul ou Oeste de Minas, em busca de ouro e esmeraldas, foram abrindo o caminho para os sertões das “Gerais”.
Assim nasceram os primitivos arraiais de Pinheirinhos, Rio Verde, Itamonte, Passa Vinte, Boa Vista, Conquista, Capivari, Congonhal, Pouso Alto e Pouso do Lourenço, que neste último fixa a lenda, com visos de verdade, a primitiva São Lourenço dos nossos dias.
Mas para que desses dois séculos surgissem da antiga Minas Gerais de Cataguás, então parte integrante da Capitania de São Vicente, os primórdios desse pedaço de paraíso que é hoje o Sul de Minas, foi necessário uma soma de heroísmos e sacrifícios, ousadias e tenacidades, dinheiro e vidas, que os idiomas do Universo seriam pobres para descrever e cantar.
A floresta tropical exuberante agressiva, sufocante, misteriosa e virgem; a penedia agreste, bruta e viva; os rios caudalosos, profundos, cachoeirantes e velozes; os pântanos traiçoeiros, insalubres, coaxantes e intermináveis; a dureza cortante das ventanias invernais; os infindáveis e violentos dilúvios do verão causticante; os minúsculos bichinhos agressivos da selva espessa e a fera bravia, do mosquito transmissor da febre que fazia tremer até morrer à onça rugidora que infundia medo; a flecha certeira, insidiosa, inesperada e mortal do índio altaneiro e rixento, cataguá, puri, tamoio ou guaianás que fosse; tudo isso teve de ser enfrentado, muitas vezes para vencer, outras para recuar; mas avançando, parando ou recuando, morrendo sempre, na obstinada energia, na cupidez indômita do pó amarelo e das pedras verdes, finalidade obcecante que o tempo consagrou na lenda do Rio Verde e que mais outros dois séculos permitiram aos homens de hoje, em quatro horas, por excelentes estradas e amplo reabastecimento intermediário, encontrar nova fonte de vida, saúde e tranquilidade, nessa hospitaleira, amável, simpática e bendita entre todas – São Lourenço.

SANTO ANTONIO… COLONIZADOR

Com o suave milagre de Santo Antônio, passando de branquinhas e claras a verdes as águas do rio, escondendo assim as esmeraldas e poupando as caboclas, como em linda página nos conta o conhecido beletrista mineiro Synésio Fagundes, no seu “Roteiro de São Lourenço”, foi a pouco e pouco desaparecendo o interesse dos garimpeiros.
Surgiu a fase da colonização. Começou a exploração da terra. Fixaram-se então os colonos brancos, o gentio domesticado e o escravo africano, sem falar nas missões dos jesuítas. Despontaram engenhos e fazendas, estabeleceu-se a pecuária.
Ao antigo Pouso do Lourenço chega e fica um cidadão de nome Mendanha. As casas de tabatinga passaram a constituir o ponto preferido das tropas que percorriam o interior, fazendo, como hoje se diria, a linha Sorocaba – Pouso Alto – Três Corações.
Nascera assim o Sítio do Mendanha.
Hibernou este núcleo em quase anonimato, durante muito tempo. Enquanto isso, bem mais longe e com maior vigor, surgiam com força e esplendor – a Vila Águas Virtuosas de Lambari, Nossa Senhora dos Remédios de Caxambu e Cambuquira, afora outras.
Um belo dia, um Sr. João Francisco Viana e seu sócio Camilo de Leris Pinto, adquirem as terras de Mendanha. Por morte de João Francisco, seu parente e patrício Antônio Francisco Viana, de saúde delicada, herda e transfere-se com armas e bagagens, da metrópole para sua nova propriedade. Caçador inveterado, pára, certa feita, em meio da floresta e mata a sêde numa fonte cristalina e fresca. Desperta-lhe a atenção o “sabor” diferente e raro. Não se sabe bem como, nem porque, passou ao uso sistemático dessas águas, não sem trabalho e sacrifício. O fato é que ao fim de certo tempo alcançava cura definitiva para seus sofrimentos, cujo desaparecimento entrou para o rol dos milagres. Espalhou-se a fama e com ela surgiram outros enfermos que em maior ou menor escala, foram colhendo benefícios de vulto que a história registra. Assim teve vida “Águas Santas”, que passaria depois a “Águas Santas do Viana”.
Dilatou-se a noticia, cresceu o movimento, foram surgindo choupanas, cada vez mais numerosas.
“Os terrenos de Antônio Francisco Viana passaram para José Rodrigues; depois, a Joaquim de Souza; mais tarde, aos herdeiros destes, Mateus Ribeiro da Luz e Ernesto Richer; os de Mateus ficaram para seus filhos, cujo tutor fôra Antônio Ribeiro da Luz Junqueira; finalmente, sendo estes e os de Ernesto Riche vendidos a Antônio Justino Ferreira, Cap. Manoel Dias Ferraz e João Antônio de Oliveira“.
Por volta de 1847, aí passa muito enfermo e a caminho de Águas Virtuosas de Lambari, um cavalheiro cujo nome perdeu-se no tempo. Instado por um tio de Antônio Justino, permanece três meses, faz uso das águas e fica bom. Volta à Província, trombeteia a sua cura e dessa propaganda nasce o primeiro grupo de “Veranistas”, que instalados em magníficas residências de sapê, fizeram a primeira estação de águas. Foram eles: Dr. Borba, Dr. Miranda, Manoel Freire; do Carmo de Pouso Alto (hoje Silvestre Ferraz), as famílias de D. Mariana Ernestina Noronha. José da Silva Gorgulho, Cap. Luiz José Martins de Noronha, seus genros, Tomaz Arantes e o Pe. Inácio Nogueira, que residia na “Chácara” atualmente pertencente aos herdeiros do Cap. Francisco Izidoro da Silveira Pinto.
Protegido por um barril sem fundo, o veio d’água procurado era férreo e sulfuroso, muito embora já se falasse em outro, não férreo, e que deve corresponder à atual gasosa.
A esses primórdios de veraneio, cercados já de um arremedo de classificação científica das águas, seguia-se o primeiro grande passo no definitivo estabelecimento de uma organização em bases técnicas e comerciais, que do velho e incerto milagre, do empirismo e do boato, do sapê e do sopapo, se transformaria em reputado centro hidro climático, rincão acolhedor, alegre e feliz.

ÁGUAS SANTAS DO VIANA E SÃO LOURENÇO

Não é de admirar que as histórias, os milagres e a fama, atingindo terras bem mais distantes, chegassem, como de fato chegaram, à velha cidade de Campanha.
Aí tiveram excepcional acolhida na tradicional família do Cel. Lourenço Xavier da Veiga. Um de seus filhos, homem de visão larga, diretor do órgão local da imprensa – o semanário “Monitor de Campanha” – o comendador Bernardo Saturnino da Veiga, rápido transferiu-se para as Águas Santas do Viana, onde passou a estudar o assunto ao mesmo passo em que entabulava as primeiras negociações. Enquanto agia junto ao Cap. Manoel Dias Ferraz e Adolfo Schimidt, donos das terras onde brotavam os veios hídricos, em São Paulo, os outros membros da família, conselheiro João Pedro da Veiga e seu filho Dr. João Pedro da Veiga Filho, Dr. Luciano Luz da Veiga, José Pedro da Costa e o grande Evaristo da Veiga, organizavam uma companhia para explorar as riquezas hidrominerais da região.
O vulto da empresa leva o Com. Saturnino até Carmo do Rio Verde, sede do Município, onde através do chefe politico local entra em contato com os proprietários das terras vizinhas das nascentes. Após demorados entendimentos, os irmãos Veiga compram as terras necessárias e fundam a Cia. de Águas Minerais de São Lourenço, cuja primeira Diretoria teve como presidente o Dr. Dino da Costa Bueno, como secretário o Dr. João Pedro da Veiga Filho e o Com. Bernardo Saturnino da Veiga, como gerente.
Larga-se Veiga Filho para Ouro Preto e junto a José Cesário de Faria Alvim, então Governador, consegue “o privilégio da exploração das águas”. Já em 4 de junho de 1890, decreto oficial aprova, reconhece e confirma, não só os estatutos como os termos dos compromissos assumidos pelos concessionários junto à Secretaria do Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas.

POLÍTICA – PRIMEIRAS INICIATIVAS – INDEPENDÊNCIA

O primitivismo local e as fontes ocultas no matagal espesso e pantanoso, próximo à colina “Campos”, exigiram penosas obras por parte da Companhia e que foram, sem dúvida, no Brasil, os passos incertos daquilo a que hoje se dá o nome de urbanismo”.
Não faltou, tampouco, o Agache da época, na pessoa do Eng. Alfredo Capelache de Gousbert, que convidado em São Paulo, vem, estuda, volta e contrata duzentos operários que se mudam para o local, e auxiliado por um “técnico” da terra, Manoel Alves Esteves, mais conhecido por “Manoel espanhol”, homem de largo tirocínio, uma vez que trabalhara em Caldas e Caxambu, começam as obras de vulto.
Derrubar a mataria vetusta e intrincada. aterrar e sanear brejos imensos, abrir estradas e ruas, desviar e retificar o curso de riachos, captar os veios medicinais dando-lhes abrigo em prédios próprios. levantar o edifício hidroterápico, tal foi a tarefa ciclópica desses novos bandeirantes de outro estilo, a quem tanto se deve e tão esquecidos andam.
Já a 10 de agosto de 1892, com o nome de “0riente”, inaugura-se a fonte alcalino gasosa, cuja bênção foi dada pelo Padre Antônio Gomes de Faria Nogueira. A essa altura a Companhia era presidida por João Pedro da Veiga Filho, sendo José Eduardo de Macedo Soares seu Diretor Secretário e Urbano de Vasconcelos, o Engenheiro Superintendente.
Em 18 de novembro do mesmo ano, em colina situada a cavaleiro da fonte “magnesiana”, ergue-se o Santo Cruzeiro, face à ermida que, projetada em homenagem a Bom Jesus do Monte, foi inaugurada sob a proteção de São Lourenço, visando perpetuar justamente o nome do Cel. Lourenço Xavier da Veiga, pai do grupo, realmente o fundador da estação hidro climática.
A primitiva igrejinha recebeu a imagem principal figurando no altar mór, como doação do deputado federal Francisco Luiz da Veiga.
A este detalhe prende-se lenda mais recente, que me foi relatada por antigo “charreteiro”, quando com minha família. visitamos o pitoresco e suave templo da colina. Contou-nos então, que com o desenvolvimento da cidade houve de construir-se maior e melhor templo. Dai a nova Matriz, para cuja inauguração a imagem de São Lourenço, em soleníssima e tocante procissão, foi transportada, desde a antiga ermida.
Aconteceu, porém, que no momento exato em que de seu antigo altar retiraram o mártir padroeiro, imediatamente “secou”, parou de correr a água da fonte magnesiana, que dizem nascer bem em baixo da capelinha. E só voltou a fonte a jorrar como dantes no dia em que a população e a Empresa, esgotados esperanças e recursos técnicos, em nova procissão, solene e constrita, restituíram a imagem à sua antiga morada, no alto da colina, onde durante toda a noite, o cruzeiro fartamente iluminado, espalha até hoje a luz da fé, o brilho da esperança e o clarão vivo da crença, por todo aquele vale coberto de casas novas, hotéis barulhentos e laborioso povo da cidade de São Lourenço.

ESFORÇO E PERSISTÊNCIA

Pertencendo em recuadas eras à Comarca do Rio das Mortes, passou o que é hoje São Lourenço, para a de Rio Verde, em 1839.
Com a criação da Comarca de Pouso Alto, em 1874, ficou como distrito espúrio da margem esquerda, sob a jurisdição de Silvestre Ferraz.
Em sua longa, curiosa e acidentada história, nunca lhe faltaram homens de coragem, amando entranhadamente terra tão linda e tão boa, dispostos a lutar por ela. Assim, cabe aqui especial menção ao Cap. Francisco lzidoro da Silveira Pinto, fazendeiro e chefe político, a quem se deve a primeira escola pública, inaugurada a 7 de março de 1907. A esta segue-se outra e ainda uma terceira, para meninas, em maio do mesmo ano. A essa altura recebe São Lourenço a segunda visita presidencial do Estado. O eminente republicano João Pinheiro da Silva visita-a em maio de 1907. Já anteriormente, em setembro de 1891, hospedara a figura de Cesário Alvim, então em excursão pelo Sul de Minas.
Não foi, porém. sem desalentos, provações e intermitências, desânimos e renascimentos, apatias e ressurreições, que a magnifica estância conseguiria atingir o que hoje é.
Mau grado visitas e elogios, famas e promessas, apesar de contar com estrada de ferro desde junho de 1884, sôbre ela se abateu o temporal da inércia e das desilusões, quando esgotados os recursos da Companhia, nas vultosas obras empreendidas, tudo culminou com o ato infeliz do Governo Afonso Pena – David Campista, que em dezembro de 1893 onerou-a com pesada multa e tributos de monta, pelo não cumprimento de certa cláusula contratual. Novo e gigantesco esforço de Veiga Filho. Volta a Ouro Preto, reforma a Companhia e por ato do Govêrno, em 4 de abril de 1905, recompõe-se a situação e pela primeira vez são as águas oficialmente analisadas na Escola de Minas de Ouro Preto, pelo professor alemão de química, Dr. Alfredo Schaefler.
Foi, entretanto, em 1905, que se desencadeou a crise máxima, a pôr em sério perigo toda a soma de esforços até então dispendidos.
Dissolveu-se a Companhia de Águas Minerais de São Lourenço e receberam os acionistas os lotes correspondentes de terreno.
Surge, mais uma vez, o homem providencial. . .
Afonso França, paulista que não fora feliz no ramo de fumo em alta escala, visão aguda, energia férrea, vontade indomável, dinamismo incessante, não deixou que em fumo ficassem suas aspirações. Adquire em nome de seu filho – Antônio Noronha França – a concessão das águas e tudo mais que à primeira Companhia pertencera. E novo bandeirante, de entrada, instalou maquinaria moderna, edifício de engarrafamento, depósito, oficinas e uma linha de bondes para transporte da água até à Estação, posteriormente ampliada para servir os veranistas. Logo a apelidaram de “turco móvel”, dirigido que era o veiculo por um jovem do local – o Nenê Bacha – o mesmo que de motorneiro, com o correr dos tempos, mercê de seu esforço e méritos pessoais, chegou a Delegado de Policia. Um desses nobres exemplos de “self-made-man”, correndo parelhas com aqueles outros descendentes dos primitivos 200 operários trazidos de São Paulo e dos quais ainda hoje se contam alguns respeitáveis e prestimosos representantes, na melhor sociedade local.
O ano de 1908 assinala o falecimento de Afonso França. O filho, Antônio França Filho, alheio aos negócios paternos, aluno da Escola Nacional de Belas Artes, por força da herança assume a direção. Convida um médico de São Paulo e funda a firma França&Nova. Compromissos irremovíveis e dificuldades várias, fazem com que transfiram a exploração das águas, por contrato firmado, primeiramente para a firma salineira da Capital da República, proprietária em definitivo em 1921. Já em 1923 passa a Empresa para o Banco da Lavoura e Comércio.
Foi, sem dúvida, o ano de 1923, o que marcou a fase de progresso incessante de São Lourenço e que se prolonga até nossos dias.
Já aí, o gerente da Empresa, designado pelo Banco, o Sr. Carlos Alberto Vieira, imprime nova orientação e funda uma grande cerâmica.
Nasce novo bairro – São Lourenço Novo – com florescente comércio. Mário Neto instala uma farmácia; surge o primeiro bilhar, do Cel. José Justino; a 13 do maio inaugura-se o Telégrafo; monta-se o Posto Meteorológico; vem a lume a “Gazeta de São Lourenço”, sob a direção de José Justino Ferreira; circula o serviço de auto ônibus de Paes de Abreu; tílburis e charretes também circulam pela primeira vez, enfrentando alguns fordecos de bigode; moderniza-se o Hotel Central sob a orientação de Heráclito Moreira; Pradela Júnior funda o “Boa Vista”; “A Mensageira” instala o serviço telefônico; luz elétrica e água encanada já se acham instaladas e Joaquim Santiago organiza a indefectível banda de música.
Surgem, então, os Balarini, pai e filho. O primeiro, almirante reformado, e o segundo, engenheiro, que instalam um cinema e arrendando o “Hotel Palácio”, inauguram um Cassino, pioneiro que foi da indústria do pano verde.
Novos bairros vão rapidamente surgindo: Estação, Vila Carmelitana, Carioca, São Lourenço Novo, Vila Esperança, Santa Cecília, Pasto da Companhia e etc., invadidos por novos hotéis: da Estação, Pensão São José, Pensão Miranda, Hotel Veiga, Pensão Aparecida, Elite, América, Pensão São Benedito e Parque Hotel. João Lage imprime novos rumos à indústria hoteleira e lança o seu magnífico e novo Hotel Brasil.
Mais cassinos: Brasil, Ideal e Palácio, com roleta, “baccarat”, campista, cavalinhos e víspora. . .
Estância hidro climática não poderia deixar de possuir esse heroico recurso terapêutico do: Vermelho 36! – Façam Jogo! – Ganhou a banca! e etc. – para uso de seus hipertensos ou esgotados.
Como se não chegasse tal volume de realizações, a depor por um dinamismo invulgar, foi também 1923 o ano inicial da luta pela alforria, pois que São Lourenço, após memorável campanha de libertação, em que se destacou com brilho Oscar Fagundes, à frente do jornal “O São Lounrenço”, consegue sair da tutela do Município de Silvestre Ferraz, para o de Pouso Alto, só não conseguindo completa autonomia administrativa por falta de pequenos requisitos legais. Mas a luta continua e com Oscar
Fagundes, José Justino, Mário Neto, Gorgulino, Vivalde Junqueira, Vitorino Fonseca e outros, vai à vitória em 1º de abril de 1927, quando o presidente estadual Antonio Carlos e o secretário Pinheiro Chagas, no Hotel Brasil, referendam o ato criando uma “Prefeitura Provisória no Distrito de São Lourenço, Município de Pouso Alto e marcam o dia das eleições do Conselho Deliberativo e Juízes de Paz”.
Realizava o grande sonho de vinte anos de lutas.

CAMINHANDO SEMPRE

Desde a posse de seu primeiro Prefeito – Dr. Braulio de Vasconcelos – até hoje, a maior parte do progresso de São Lourenço se deve à iniciativa particular. O esforço abnegado de seus filhos e a contribuição de estranhos, que conhecendo a terra passaram a amá-la e servi-la, tem sido, na realidade, a mola mestra de seu desenvolvimento.
Apesar de inúmeras visitas oficiais graduadas, presidentes de Estado e da República, acompanhadas e seguidas de elogios e promessas, os chamados “poderes públicos” não têm dedicado ao formoso rincão do Sul de Minas a atenção que por todos os motivos ele merece.
Os anos de 1906 e 1926, assinalam duas tremendas e devastadoras enchentes após violentos temporais. Os pântanos, os numerosos riachos e o soberbo Rio Verde, ainda hoje estão a exigir obras de vulto, de aterro, saneamento e retificação, que não podem ser executadas por municipalidade que, embora florescente, não dispõe de renda capaz de empreendimento de tal monta.
É tido o município de São Lourenço como o menor do Brasil, com seus 59 km2.
Em 1927 arrecadou a Prefeitura Cr$ 38.565,30, para em 1934 subir a Cr$ 1.321.274,20 e atingir cerca de Cr$ 3.700.000,00 em 1952. Apesar de em 25 anos, ter a sua arrecadação subido para cerca de 96 vêzes mais, é óbvio que não se encontra, sem o auxílio dos governos Estadual e Federal, em condições de executar obras inadiáveis de urbanização, envolvendo importantes cometimentos que só a engenharia especializada poderá realizar.
A série de Prefeitos que tem administrado o Município, não têm descurado do problema e várias tentativas foram feitas no sentido da realização dessas obras. Manda a justiça se consigne não ter sido alheia a “política” ao malogro de algumas investidas.
Assim, na impossibilidade de realizar a obra mestra, vão fazendo melhorias de outro gênero: Reforma do abastecimento d’água; remodelação dos serviços de força e luz; abertura, aterro e pavimentação de novas ruas e avenidas; remodelação do cemitério e construção do ossuário; construção do Matadouro; outorga do serviço telefônico à Cia. Brasileira; construção da nova Agência Postal Telegráfica; instalação de novas escolas; extinção de mocambos; arborização de avenidas, ruas e praças; coleta do lixo; reestruturação do funcionalismo; mercado; esgotos; obras da assistência social; construção do Estádio Souto Maior; novas estradas; pontes de cimento armado; o Ginásio São Lourenço; o campo de aviação; o novo Balneário e etc., etc., são iniciativas exclusivas dos Prefeitos umas, outras associando a contribuição particular em larga escala, mas todas elas revelando a desambição e o dedicado empenho dos administradores locais.
Tempo houve, até, em que tudo se fazia mediante “subscrição”… A propósito de tudo se abria uma “lista” encabeçada por um maioral da terra, a que todos “compareciam”, para tempos depois transformar-se em realidade orgulhosa e marcante.
O pó era muito, tudo sujando e a todos incomodando. Resolveu-se facilmente. Manoel Marques de Macedo, elemento prestigioso, abre mais uma “lista”. Resultado: Passados dias a Prefeitura recebe de presente um caminhão adaptado para a irrigação das ruas. A própria Casa de Caridade (a Santa Casa local) começou numa “lista”, mas isto é assunto que veremos mais adiante.
À frente da Municipalidade de São Lourenço encontra-se, neste começo de 1952, o Dr. Emílio Abdon Póvoa, clínico de larga e merecida nomeada, filantropo, médico das águas, inspetor de ensino do Colégio Santa Úrsula, de quem tudo se pode e deve esperar, mercê de suas qualidades pessoais e profissionais e de seu nunca abrandado entusiasmo pela terra que administra, por cujo progresso trabalha e por cuja pobreza assiste, de há longos anos, em constante e verdadeiro apostolado. De resto, neste
como em outros médicos radicados à terra ou simples adventícios, tem tido este formoso torrão mineiro, dos melhores e mais enérgicos propugnadores de seu desenvolvimento, ligada indissoluvelmente que está sua marcha ascencional à merecida fama de suas águas minerais. Muito há ainda a fazer, sob o ponto de vista médico e urbanístico, para que São Lourenço atinja as culminâncias a que faz jus.
Não sendo obra de crítica, senão modesta memória evocativa de aspectos mal conhecidos ou olvidados, não cabem aqui doestos e sugestões. O que falta, virá certamente com o tempo. O que enerva e entristece, é que não tenha, por falta de amparo oficial, o que precisaria ter e já, para ser uma das melhores, mais atraentes e mais completas estações hidrominerais. É sempre de se lamentar esse atraso de 20 a 50 anos, com que se realizam em nossa terra as coisas mais úteis e necessárias.
Analisada sua história, São Lourenço o que hoje é, deve-o em 90% à iniciativa particular, à energia de seus filhos ou à admiração de seus frequentadores, porque essa coisa vaga, indefinida, a que se dá o nome genérico de Governo, essa entidade a um tempo mitológica e terrena, que só aparece real e viva na hora das inaugurações e da cobrança de impostos, essa tem primado por uma cega, permanente e desesperante ausência.
Qual pai carranca, severo e forreta – dos velhos moldes – enquanto o tutelava, o Estado nada fêz por ele, distritozinho escondido e ignorado, certamente para que não “criasse asas” ou tivesse “fumaças de homem”. Um belo dia, premido por circunstâncias várias e certamente contra a vontade, suplementa-lhe a idade, dá-lhe a alforria, mas diz-lhe também: “Arranja-te como puderes! Já és maior e nada tenho a ver com a tua vida!”

ASPECTOS ATUAIS

A fama crescente das águas de São Lourenço, reboando por todos os cantos, trombeteada gratuitamente pelos milhares de veranistas por elas beneficiados, foram tornando cada vem maior o afluxo de aquáticos.
Um índice seguro dessa procura, justificadamente em ascensão, é a prosperidade contínua da indústria hoteleira.
Em 1892, José Pedro da Costa (sobrinho dos Veigas) fundava o primeiro Hotel da localidade – o “Beau Sejour” – quase fronteiro ao atual Hotel Silva. Dai para cá, já em 1917, vamos encontrar três hotéis e duas pensões. Em 1918 inauguram-se mais três, para logo depois a iniciativa de Joaquim Alves Pradela Júnior inaugurar mais dois – Seleto Hotel e Palácio. Em 1922, João Lage, um dos mais bravos lutadores pelo progresso de São Lourenço, auxiliado decisivamente por sua espôsa, uma gaúcha que tantas saudades deixou por sua bondade, inteligência e invulgar capacidade de trabalho, adquire o prédio da Baronesa de Queiroz e abre o Hotel Brasil, que sofrendo duas ou três posteriores e totais reformas, ficou sendo a casa de hospedagem realmente excelente que todos hoje conhecem.
Em franco desenvolvimento, foram se amiudando os investimentos desse tipo, até que no atual momento dispõe, a linda Estância, dos seguintes estabelecimentos: Avenida, Aliança, Aparecida, Brasil, Bela Vista, Copacabana, Cruzeiro do Sul, Eldorado, Esplanada, Elite, Flórida, Grande Hotel, Guanabara, Iramar, Ipiranga, Imperial, Jina, Londres. Miranda, Negreiros, Ponto Chic, Palácio, Primus, Rio-São Paulo, Rio-Lisboa, Rex, Royal, Real, Rio Branco, Sul América, São Lourenço, Silva, Universal, Veiga, Vitória, Veranistas e, certamente, mais alguns cujos nomes me escaparam. Tal como acontece com as cidades serranas próximas do Río de Janeiro, também em São Lourenço se encontram casas alugadas meses a fio ou frações de 21 a 30 dias.
Foi neste verão de 1952, por volta do Carnaval, que decorreu animadíssimo e sem o menor excesso, que a frequência das águas obteve o seu ano máximo e quebrando todos os “records” anteriores. A estatística levantada pela Empresa das Águas acusou cerca de 8.000 pessoas a constituir a população adventícia que gasta nos Hotéis, nas “charretes”, nas lojas, cinemas, bares, “boites”, Parque, cassinos e etc., recuperando a saúde e retemperando as energias.
Sem a menor sombra de dúvida, para esse desusado movimento contribuiu fundamente a abertura de 4 cassinos – Imperial, Excelsior, Metrópole e Cassino Hotel Brasil – que de tarde e à noite, com as esportivas atividades da roleta, baccarat, campista, cavalinhos, víspora e bingo, fortemente taxadas em benefício das obras de caridade ou assistência social, do Estado ou locais, faziam correr fartamente o dinheiro.
Banqueiros, parlamentares, industriais, comerciantes, magistrados, judeus ricos de atividade incerta, funcionários públicos, pretos e brancos, nacionais e estrangeiros, a todos vi se acotovelarem democraticamente, sorridentes ou carrancudos, joviais ou abismados, mas sempre solidários na luta inglória contra o banqueiro, em torno dos panos verdes e dourados. Torcia-se irmãmente e fraternalmente se chorava, o “bico da dama”, “chorrilho” de um ponto ou a “repetição do 17″, com a naturalidade, intimidade e a intensa emoção que unem os homens nos grandes momentos, e que ali emprestavam ares de amizade centenária, a que só da véspera se conhecia. . .
E era de ver-se a sincera e intensa alegria em torno dos afortunados que eram poucos e a não menos sincera consternação para os de pouca sorte, que eram muitos…
Não menor era o número dos “observadores”, dos que se divertem com a diversão alheia, prodigalizando sorrisos encorajadores aos que ganhavam e filosóficos conselhos aos que perdiam, enquanto iam “filando” os cafezinhos e os copos d’água gelada, assíduas únicas “gentilezas” dos banqueiros locais.
Dali, para as “boites”, era um passo. Orquestras típicas, radialistas do Rio ou de São Paulo, em “tournée”.
Também se ficava no Hotel conversando, jogando “buraco” ou “pif paf” ou “caixeta”, ouvindo alguma “menina prodígio” ou hóspede de dotes literários ou violeiros; ou dançando, ou aturando um prestidigitador bisonho ou, às vezes, de mérito. Parado é que ninguém ficava, porque em nada havendo, andava-se, andava-se muito de um lado para o outro, aturando a algazarra infernal, indescritível, pandemônica e dantesca, feita sempre por esse mimo de gente, esse conjunto de maravilhas e primores de educação, que é composto pelos filhos… dos outros.
Duas temporadas de 21 dias em dois anos consecutivos, não bastam para que se tire conclusões seguras, sobre certos ângulos da vida de uma cidade, mesmo pequena. Relações feitas com pessoas credenciadas da sociedade local, econômica e intelectualmente categorizadas, tornando-se, pois, fontes merecedoras do maior crédito, permitem-me afirmar já possuir hoje São Lourenço apreciável vida intelectual e profissional, para o lado das chamadas profissões liberais.
Os seus três jornais, todos semanais, o “São Lourenço Jornal” (o mais antigo), o “Arauto” e a “Estância”, de feitura agradável e leitura amena, vão-se mantendo bem, apesar da proximidade do Rio, que no mesmo dia lá faz chegar os seus periódicos.
Nada menos de 6 advogados – os Drs. Martim de Andrade, Gentil Cristino, Oscar Junqueira, Walter Vieira, Agenor Gomes Pinto e Paulo Vilhena, radicados à terra, labutam na justiça local, sem esmorecimentos e a provar que no Cível, Comercial e Crime, há campo bastante e que tende a crescer com o constante aumento de todas as atividades.
Dentistas, também 6 se encontram instalados: Gabriel Junqueira, Francisco Celi, João Manoel Oliveira, Renato Junqueira, Altair Ferraz Junqueira e Ural Prazeres. Este último foi o introdutor do 1.° Aparelho de Raio X e “equipo” odontológico moderno, ao dispor da população local.
Os 8 farmacêuticos: Benjamin Libânio, Yelci Ferraz, Raul Ramos da Costa, Joaquim Negreiros, Nélson Rodrigues, Joaquim Ribeiro Franqueira, Alvarim Garcia Machado e José Ribeiro Franqueira, embora este último se encontre afastado do exercício profissional, atestam o desenvolvimento desse nobre ramo afim da arte ciência de Hipócrates.
Quanto à Medicina, capítulo vivo e primacial, quase que a própria história de São Lourenço, é o que veremos a seguir com maiores detalhes.

CONTRIBUIÇÃO MÉDICA

Na história da Estação Creno Climática de São Lourenço, avulta o capítulo da contribuição da classe médica, quer no exercício puro e simples da profissão, quer nas atividades subsidiárias.
Quando a Família Veiga, mudando-se de Campanha, fixou-se em São Lourenço e deu à exploração das águas a primeira e estável organização, já aí encontrou clinicando, desde 1882, o Dr. Augusto Alkimin, então residente à Vila Carmelitana, profissional que a tradição consagra como o espírito caritativo e que nos primórdios da Estação, certamente, não vivia abarrotado de clientela remunerada.
Com a instalação da nova firma, dela faziam parte os Drs. Ângelo e Saturnino da Veiga, que na qualidade de médicos passaram a exercer essas funções na administração da Empresa. Não ficaram, entretanto, no atendimento exclusivo dos aquáticos em busca de orientação ou conselho. Dedicaram-se ao estudo do problema encarado sob mais vastos horizontes, do que nasceu o primitivo Balneário, localizado que era nos terrenos onde hoje é a fábrica de doces “Brasil”.
Vencendo esses hiatos, que não raro a história registra, daí pulamos para o ano de 1910, quando vamos encontrar o Dr. Guarino Freire, todo votado e entregue ao apostolado dos necessitados.
Quer pelos historiadores, quer pela tradição oral que ainda se recolhe entre velhos moradores, são os Drs. Alkimin e Guarino, considerados com justeza os pioneiros da clinica local, uma vez que os Veigas, à sua condição de médicos misturavam, como não podiam deixar de fazer, uma atividade, digamos, comercial, mas que era inevitável, atendendo a que como profissionais da Empresa e sobre seus ombros pesando também responsabilidades de direção e desenvolvimento, suas preocupações funcionais teriam de se orientar preferentemente nesse sentido. Elementar justiça manda, entretanto, se assinale, terem os Veigas, apesar da preocupação dominante dos negócios da organização, prodigalizado com dedicação e nobreza, sempre que solicitados, os recursos de sua profissão.
Incidentemente se registre que, com a prosperidade crescente da Estância e o desenvolvimento de seu corpo médico, foram paralelamente surgindo, como era de se esperar, as farmácias. A primeira a abrir suas portas era de propriedade de Capistrano de Paiva, que inteligentemente a localizou ao lado de um Hotel – o “Beau Sejour” – que como já foi dito era também o primeiro de seu ramo.
A esta seguiram-se outras, de proprietários diversos, como: Alfredo Gomes de Paula, Mário Neto, Raul Ramos Costa (ex-professor de ciências físicas e naturais), Atílio Rodrigues e Joaquim Ribeiro Franqueira.
Em 1919, passa a residir e clinicar em São Lourenço, o Dr. Gastão Otaviano Ferreira, renomado filho da cidade de Campanha. Observador inteligente e apaixonado admirador das belezas e virtudes da terra, imediatamente se aliou ao Dr. Potier Monteiro e iniciaram a luta para a construção de um hospital que viesse atender às necessidades locais, já a essa altura instituição a exigir pronta realização.
Potier Monteiro lança as bases de uma sociedade anônima, congregando avultado número de subscritores na nova “lista”. Apesar da generosidade da ideia e sua premente necessidade teve de ser abandonada, embora temporariamente, porque os elementos exigidos para a sua consecução iam muito além das possibilidades reais da população.
Não desanimou Potier ante o malogro da projetada obra e, modificando-a, deu-lhe por conta própria um arremedo de solução, atestado vivo de desinteresse e bondade. Sob seu risco exclusivo, instala ao lado de sua casa, um “Posto” de assistência e socorro à pobreza, onde em menor escala, sem dúvida, mas com igual desambição e altruísmo, passa a prestar aos desvalidos da terra e redondezas, os mais assinalados serviços.
Surge então, a figura do Dr. Eurípedes Prazeres. Era o primeiro fiscal do Governo junto à Empresa das Águas. Estudioso e culto, não confinou a sua atuação aos estreitos limites burocráticos do cargo. Introduz a aplicação dos banhos carbogasosos, então novidade entre nós. Não se detém com a falta de material especializado no emprego desse útil recurso terapêutico. Lança mão de tôscas banheiras, adaptando-as para uso do método novo que se lançava com decisão e coragem. E de que bem inspirado andara, certas e tecnicamente perfeitas tinham sido suas providências, entre outros depoimentos bastaria o que em artigo, na imprensa, deu tempos depois o Ministro Hélio Lobo, que tendo desses banhos feito uso, mau grado o incipiente e primitivo arsenal, dêles obteve excelentes resultados.
O Dr. Garção Stockler vem a seguir, instalando o seu consultório especializado de psicoterapia e deixando justificadas saudades de sua passagem.
Não raro, veranistas seduzidos pela beleza da terra, a bondade da gente e o esplêndido futuro da Estância, iam ficando… Embora solicitados pelas obrigações e deveres anteriores, prolongavam a permanência, adiavam a volta, indefinidamente vencidos pelos encantos locais.
Assim aconteceu, entre outros, ao Dr. François Norbert, que depois de longa estadia, dinâmica e útil, embora voltando à Capital, não esquece a sedução de São Lourenço e dedica-lhe lindas páginas de carinho e saudade.
O Dr. José Gualdino da Silva Neves, cirurgião da Secretaria Geral de Saúde e Assistência, atualmente um dos diretores da Casa de Saúde Dr. Eiras, também durante alguns anos residiu em São Lourenço, e não cifrou a sua atividade ao exercício exclusivo da profissão. Na imprensa local e no “São Lourenço Jornal”, como redator, ao mesmo tempo que publicava uma série de artigos sôbre “Crenologia“, mantinha viva campanha sobre politica internacional.
A celeuma levantada entre elementos da terra, ligados à então prestigiosa corrente totalitarista, foi de tal ordem, que quase redunda em “démarches” diplomáticas… E vá alguém duvidar do prestígio da imprensa, mesmo quando representada por um modesto semanário de remota e escondida província…
A revolução de 1930 veio colocar São Lourenço, por uma fatalidade geográfica, bem em meio ao teatro de operações. O velho sonho de Gastão Ferreira e Potier Monteiro – o Hospital – só alguns anos mais tarde se tornaria realidade. De sorte que a pacata Estância foi assaltada pelo reboliço das operações de guerra e sua consequente avalanche de feridos.
Da total mobilização dos recursos e das dedicações, sobrelevaram-se a transformação do Grupo Escolar em Hospital de Sangue e o nobre e infatigável apostolado do Dr. João Frazão de Castro, então médico da Rede Mineira de Viação. Poucas e obscuras serão as palavras que se possam usar na descrição fiel e viva do seu esforço, capacidade de trabalho, infatigável vigilância e inimitável amor ao próximo. Por tudo isso, é o seu nome hoje lembrado com o respeito e a veneração que a alma simples
das ruas só dedica aos verdadeiramente bons, sábios e justos.
O ano de 1934 assinala a inauguração de melhoramento médico da mais alta valia. A Emprêsa das Águas confia ao Dr. Mário Malavazzi a instalação do Laboratório de Análises, que viria, no campo dos exames complementares e não raro imprescindíveis, prestar tão assinalados serviços ao corpo médico e à população.
No transcurso de todos esses anos, a ideia do Hospital não morrera. Fermentava, em sono aparente, na imaginação de Gastão Otaviano Ferreira. Durante todo esse tempo, com a pertinácia e a paciência de bom mineiro, difundira-a, de mansinho, propagara-a incidentemente, como quem não quer a coisa. Um belo dia, em festival realizado no Cassino do Hotel Brasil, ampara-se ao consagrado jurisconsulto Levi Carneiro, impele Oscar de Souza, catedrático de Fisiologia da nossa velha Faculdade, movimenta outros veranistas presentes, de real prestígio político e social, surgindo ali mesmo, do ousado e benemérito golpe, os primeiros Cr$ 12.000,00.
João Lage, proprietário do Hotel Brasil e grande filantropo, que tempos antes lançara a pedra fundamental de uma Casa de Caridade, retoma o primitivo entusiasmo e adere as hostes de Gastão Ferreira. O numerário conseguido vai imediatamente para as mãos do venerando Cel. Manoel Dias Ferraz, já por unanimidade tesoureiro da Diretoria Fundadora.
O prédio existente é entregue a uma firma de Varginha e as obras começam sob a vigilante assistência de Manoel Dias Ferraz. Era de enternecer, a dedicação desse conceituado ancião, com o vigor físico comprometido ao peso de inúmeros e rudes janeiros, infatigável, subindo o descendo a colina, duas, três, quatro vezes ao dia, entusiasmando-se e contagiando os demais, à medida que ia progredindo a construção. E nos intervalos, como à noite, percorria os Cassinos, de “lista” na mão, angariando donativos para a continuação das obras e emprestando a esse ingrato e difícil gesto – o de pedir – a dignidade, a beleza, a convicção e o seu passado de honradez e trabalho.
Construído o pavilhão destinado à enfermaria de menores, constata-se um saldo. João Lage dirige um apelo a Manoel Dias Ferraz, e este, que de seu bolso já adiantara várias quantias, abre mão da divida.
As obras de reforma e adaptação da parte antiga do edifício permitiram a instalação do Serviço de Pronto Socorro, que entrou a funcionar em 8 de março de 1937. Durante três longos anos, mais de 500 enfermos são aí atendidos pelos Drs. José Mariano Campos, Gastão Ferreira e José Mascarenhas de Oliveira, que gratuitamente trabalham, não importa a hora. Mas continuam as obras. Vão surgindo donativos e dedicações.
O velho mestre Oscar de Souza oferece todo o material para a montagem do centro cirúrgico. O Dr. Waldir Bouhid, chefe da Delegacia de Saúde Pública, esforça-se e obtêm uma subvenção de Cr$ 20.000.00, que vem diminuir as preocupações da manutenção. Os casais João Lage e Artur Gorgulino fornecem toda a alimentação necessária aos internados.
O Dr José Mascarenhas abarrota a farmácia com os remédios pedidos aos Laboratórios e conta-se que pedia como cego…
Finalmente, a 2 de abril de 1940, procede-se à inauguração solene. A benção é dada pelo Bispo D. Inocêncio. João Lage à frente da Diretoria Perpétua, como seu Presidente, entrega ao Prefeito Humberto Sanches, o novo Hospital. Presentes estão: Manoel Dias Ferraz, Tesoureiro; Gastão Braga, Secretário; Dr. José Mariano Campos, José da Costa Soares e Prof. Oscar de Souza, Membros da Comissão; Dr. Levi Carneiro, Consultor Jurídico e Albano Magalhães de Carvalho, Provedor. Às Irmãs Franciscanas, sob a orientação de Madre Ester, é confiada a administração do novo nosocômio.
Um mês e três dias depois, ou seja, a 5 de maio, nascia o primeiro “pimpolho” no recém-nascido hospital, pelas mãos do Dr. José Mariano Campos, batalhador da primeira hora, figura marcante no progresso de São Lourenço e colega de fartos dotes profissionais.
Visitei a Casa de Caridade em fevereiro deste ano de 1952, na companhia prestimosa e amável de Mariano Campos. Encanta sua organização, eficiência e limpeza impecáveis.
Duas enfermarias de 12 leitos cada (homens e mulheres) espelhavam na brancura sem mancha das suas roupas, paredes, teto e assoalho, a demonstrarem cuidados extremos e constantes. Dois apartamentos e quatro quartos particulares cheios, cuja renda auferida em preços extremamente módicos, muito ajudam a manutenção dos gratuitos, atestavam igual rigor de limpeza e conforto ao observado nas enfermarias. A sala de operações e a de esterilização nada deixam a desejar pela abundância
e atualidade do arsenal, sendo mesmo superiores a algumas existentes em plena capital do Pais.
Na cozinha, um asseio espetacular e a ausência total de aromas suspeitos, tão encontradiços nessas dependências. Muito ao contrário, aí emanava um cheiro convidativo de alimento temperado com esmero, entregue que estava a duas irmãs e duas serviçais leigas. O isolamento afinava pelo mesmo diapasão, onde, aliás, graças à falta de contagiantes, se encontravam internados e próximos de cura total, dois queimados graves numa explosão em fábrica de pólvora. Farmácia, Administração, Sala dos Médicos, Capelinha e Necrotério eram um atestado eloquente de segura direção, administração inteligente e amoroso ciúme por uma obra que tão alto fala aos habitantes de São Lourenço e que deles tão vivamente expõe a compreensão do sofrimento humano.
Segue o tempo e, com ele, médicos há que chegam e ficam; outros, depois de estadias mais ou menos longas, abalam para diferentes rincões; enquanto alguns partem de vez, deixando e por certo levando saudades.
O Dr. Osmar Franqueira mudou-se para Santa Rita do Sapucaí, depois de ter prestado os mais relevantes serviços como conceituado radiologista que é. Em 1935, já Gastão Ferreira em suas “Notas de Crenoterapia”, nos mostra o poder de sedução da formosa Estancia. A seguir, fixam residência os Drs. Artur de Souza Figueiredo, Emílio A. Póvoa, Estevam de Rezende Enout, Geraldo Gesteira, José Miranda Filho, Mialzir Minas Santos, Olavo Gomes Pinto e tantos outros.
Já a essa altura, obtinha São Lourenço a sua máxima láurea científica, quando o Dr. José Mascarenhas de Oliveira, filho da hospitaleira hidrópolis, membro de uma conceituada e benquista família local, tendo sido o primeiro sanlourenciano a graduar-se em Medicina, conquista com brilho invulgar o Prêmio Raul Leitão da Cunha, em trabalho sobre o diagnóstico da difteria e apresentado à Sociedade Brasileira de Microbiologia.
Atualmente, clinicam em São Lourenço os Drs. Emílio Abdon Póvoa, médico da Empresa e Prefeito recentemente eleito; Olavo Gomes Pinto e Marcelo da Costa Prazeres, também servem à Empresa; João Marafelli, médico da Estrada; José Garcia, Eurípedes da Costa Prazeres, José Raphael Reis, Rezende Enout e José Mariano de Campos completam o corpo médico da cidade. Este último, Diretor da Casa de Caridade e residindo no Rio, é proprietário local, antigo, leal e entusiasmado amigo de São Lourenço, onde passa, talvez, a maior parte do ano. A todos cerca merecida fama profissional e atmosfera de respeito, pois que em todos eles reconhece a população da terra, além do mais, incansáveis serviços de toda a natureza para o desenvolvimento, progresso e propaganda da florescente estação creno climática.
A natureza deste trabalho não comporta o estudo detalhado das águas minerais da bacia de São Lourenço, da sua captação até a sua eficiência terapêutica. Problema de técnica especializada, exigindo vastos e profundos conhecimentos no campo da geologia, física e química, não pode ser honestamente abordado por qualquer um. Não me furto, entretanto, à obrigação de para aqui transcrever um trecho da excelente monografia: “Captação das Fontes de São Lourenço”, do Dr. José Ferreira de Andrade Júnior, eminente engenheiro patrício, antigo Chefe do Laboratório de Produção Mineral do Departamento de Produção Mineral do Ministério da Agricultura. Por ele, na clareza de sua redação, mesmo leigos poderão formar uma ideia sobre o assunto. Eis como ele se expressa:

“As fontes de águas minerais de São Lourenço, atualmente exploradas, são em número de cinco e acham-se todas localizadas no interior de um magnifico parque, que cobre uma vasta extensão à margem esquerda do Rio Verde, entre o córrego São Lourenço e a colina do mesmo nome. São todas águas carbonatadas, caracterizadas pela presença de ácido carbônico livre, em abundância, constituindo um dos elementos terapêuticos essenciais, variando a composição química conforme o percurso subterrâneo de cada fonte, como indica o simples exame das análises.
Formam um grupo importante de fontes carbogasosas, cuja composição varia desde as águas ácidulo-gasosas da fonte nr. 1, conhecida por “Gasosa” e da fonte nr. 2, vulgarmente denominada “Magnesiana”, até as alcalinogasosas, fontes nrs. 3, 4 e 5, vulgarmente conhecidas por “Vichy”, “Ferruginosa” e “Alcalina”, respectivamente, que são bicarbonatadas mistas.
O ácido carbônico que elas encerram é de origem vulcânica e se encontra impregnando o solo da região, ocupando os poros e cavidades de onde é dissolvido pelas águas circulantes. Essas águas carregadas de ácido carbônico atacam as rochas em contato, dissolvendo os elementos mineralizantes dos minerais que encontram, em proporções variáveis com a temperatura e com a extensão do percurso subterrâneo. Explica-se, assim, a variedade de fontes observada em uma região limitada.
Além das fontes mencionadas, acha-se, atualmente, em trabalhos de captação a fonte nr. 6, já cognominada pelo povo fonte da “Beleza”, cujos ensaios preliminares revelam ser de natureza carbosulfurosa, contendo resíduo salino mais elevado que as anteriores.
A associação do gás carbônico com o hidrogênio sulfurado é, alias, um fenômeno frequente nos gases de origem vulcânica. A decomposição de elementos sulfurados pode dar origem ao hidrogênio sulfurado livre e a oxidação das águas sulfurosas deixa, frequentemente, em liberdade o enxofre, finamente dividido. Esse enxofre em estado de divisão extrema pode afetar, com facilidade, a forma coloidal, tornando-se um agente terapêutico precioso.
Observa-se realmente que, pelo desprendimento do excesso de gases dissolvidos nas águas da fonte da “Beleza”, se deposita, juntamente com os carbonatos secundários, uma substância gelatinosa, cuja origem talvez se possa atribuir ao estado coloidal de certos elementos dissolvidos, assim como à existência de certas matérias orgânicas peculiares às águas sulfurosas, existentes em profundidade e que, sob a ação do ar, deixam depositar substâncias de aspecto gelatinoso como a baregina, a glairina, etc.
Esses fatos podem justificar, até certo ponto, a crença popular de que essas águas encontram aplicação benéfica no tratamento das moléstias da pele. É notável a vazão dos gases espontâneos, obtida nesta fonte”.

Nesse mesmo trabalho, publicado no Boletim nr. 4 – 1942, do Departamento e Ministério citados, encontramos também o estudo detalhado dos banhos carbogasosos. A utilização desse método balneoterápico, já hoje de comprovada valia, bastando entre tantas, lembrar as estações de Royat e Bad-Naiheim, onde em determinadas enfermidades do aparelho circulatório se vem obtendo os mais animadores resultados, cuja utilização exige técnicas próprias de captação e aquecimento, com vasta e dispendiosa aparelhagem, sem o que perderia a água suas propriedades medicinais. Outra fonte de valioso ensinamento é o livro: “Noções elementares de Hidrologia e Radiestesia”, do Coronel Dr. José de Castelo Branco (Imprensa Nacional – 1947) que escrito por um técnico de altos méritos, junta aos primores do especialista consumado o depoimento entusiasta do simples mortal que, enfermo, encontrou nas águas de São Lourenço a cura radical de seus males.
No que diz respeito à Empresa de Águas de São Lourenço S.A. é ela atualmente dirigida pela seguinte Diretoria:
Dr. Attila Carvalhaes Pinheiro – Diretor Industrial;
Dr. Joaquim Ferraz Ribeiro da Luz – Diretor Tesoureiro;
Sr. Júlio Emílio da Cunha Solto Maior – Diretor Comercial;
Dr. Joaquim José Fernandes Couto – Diretor Secretário.
Da eficiência terapêutica das águas, não há que duvidar. Já agora a crenoterapia, de conceito firmado e tendo estudiosos em todo o mundo, impõe-se como elemento valioso de cura. Não há, que eu saiba, entre nós, um registro clínico, onde se cataloguem curas e melhoras. Mas os médicos de todos os quadrantes, quer residentes, quer de passagem, quer os que sem nunca lá terem ido, também prescrevem as águas, contam entre seus clientes avultado número de sucessos.
De resto, é na visita ao Parque e nas relações ocasionais dos Hotéis, que se vão recolhendo os melhores depoimentos e os melhores testemunhos.
Nas filas para as fontes, ao longo das alamedas, nos bancos ensombrados do Parque ou à beira do lago, nesse confuso e imenso mar de gente, onde com tanta facilidade nos deparamos com uma Fany, Sara e Raquel, ou com um Salomão, Isac ou Abrahão, vai-se ouvindo, na algaravia complicada a lembrar um pequeno “gheto”, os fragmentos de conversações em que o tema predominante diz dos resultados e dos benefícios recebidos.
Enquanto uns, triunfantemente lamentam ter bexiga tão pequena, outros há que pilhericamente invectivam a “sulfurosa”, que com tanto vigor lhes vem convulsionando o intestino.
Mais além, no sotaque suspeito do “folheádo óro”, comemora-se o completo desaparecimento de umas constantes e tremendas cólicas de fígado. Noutro recanto, o ouvido atento surpreende um cavalheiro rotundo e de fartos bigodes, blusão aberto ao peito, “bonet” esportivo atirado para traz, duas garrafas cheias penduradas nos dedos, que exclama a um pequeno auditório atento, de patrícios: -“Báinditas áuguinhas! Náim as de Bidágo se lhes cumparam!”
Nas cavaqueiras dos “halls”, repetem-se os testemunhos de eficiência. Operações iminentes que as águas evitaram; males antigos, tratados por vários doutores, com toneladas de remédios e que uma estação de 21 dias fizeram desaparecer.
A um canto, aponta-se um cavalheiro que no ano anterior chegara de maca e aos 8 dias de tratamento jogava peteca no Parque. Passa lépido e vivo, conceituado magistrado, ornamento das letras jurídicas, que frequentando sem interrupção há mais de 20 anos, a estação de São Lourenço, só às águas atribui a sua perene, indiscutível e indisfarçável juventude.
Sentada em mesa da “boite”, durante as 4 noites de Momo e até às 3 horas da manhã, vamos encontrar sorridente, feliz, alegre com a felicidade alheia, os 90 viçosos anos de uma representante da nossa velha nobreza, flor de simpatia e doçura, que tais energias e exuberância, também as aure das águas da terra.
E assim, vão longe os “casos”, sem contar a legião dos que profilaticamente e a seu modo, sem indicação precisa, todos os anos “lavam os rins” ou “enxaguam a tripa”, como jocosamente justificam, acrescentando, “por via das dúvidas”.
E, coisa curiosa, mesmo os que resultados positivos não colhem, que deveriam constituir o sempre existente grupo de detratores, mesmo esses louvam o clima e excluem as águas, dizendo: “… certamente não são as deste tipo que eu preciso, porque boas são…”
Além das fontes, cujas primitivas análises datam de dezembro de 1898 e feitas pelo Dr. Borges da Costa, no Laboratório Nacional, encontramos hoje, no belo edifício que se ergue logo à entrada do soberbo Parque, os banhos carbogasosos, de tão decantados efeitos na hipertensão, já agora ministrados com moderna aparelhagem, bem como uma instalação completa para duchas e massagens. A desusada frequência já vai revelando a insuficiência das instalações que, por certo, muito em breve terão de ser ampliadas.
Bandeiras, entradas, índios, febres, esmeraldas, ouro, caboclas enfeitiçadas, Pouso do Lourenço, Sítio do Mendanha, Águas Santas, Águas Santas do Viana, Bom Jesus do Monte, São Lourenço, eis o longo e sinuoso roteiro da insondável vontade divina, dando aos homens, com o caminho inicial da fadiga e da morte na cupidez das riquezas, a fonte de vida e saúde que hoje jorra dos veios de São Lourenço, terra bendita e feliz, amável e acolhedora, fértil, alegre e trabalhadora, onde à riqueza
do solo e à graça da natureza se juntam o dinâmico patriotismo e a secular honestidade da velha cepa mineira.

FONTE N° 1 – GASOSA

Aspecto Límpido e incolor
Cheiro Não tem
Sabor Agradável acidulado
Reação Ácida
Reação após fervura Neutra
Temp. em graus C. 18,9°
Rádio atividade em:
Unidade “Mach” 4,8
Millicurie 10*7 17.5

INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DA ANÁLISE

Um litro das águas contém em gramas:
Oxigênio livre 0,00451 (3,16 cc)
Anidro carbônico livre 1,18821 (601,2 cc)
Anidro silícico 0,01420
Cloreto de sódio 0,00167
Sulfato de cálcio 0,00210
Bifosfato de cálcio 0,00093
Bicarbonato de sódio 0,05067
” de potássio 0,03893
” de lítio vestígios
” de cálcio 0,04662
” de magnésio 0,03300
“ de ferro 0,00038
” de manganês 0
Óxido de alumínio 0.00183
Índice de alcalinidade 7,9
” ” ” terrosa 4,9

FONTE N° 2 – MAGNESIANA

Aspecto Límpido e incolor
Cheiro Não tem
Sabor Agradável acidulado
Reação Ácida
Reação após fervura Neutra
Temperatura em graus C. 17,8º
Rádio atividade em:
Unidade “Mach” 2,0
Millicurie 10*7 7,3

INTERPRETAÇAO DOS RESULTADOS DA ANÁLISE

Um litro das águas contém em gramas:
Oxigênio livre 0,00112 (0.78 cc)
Anidro carbônico livre 1,43062 (723,9 cc)
Anidro silícico 0,00940
Cloreto de sódio 0,00163
Sulfato de cálcio 0,00105
Bifosfato de cálcio vestígios
Bicarbonato de sódio 0,02180
” de potássio 0,01705
” de lítio vestígios
” de cálcio 0,02705
” de magnésio 0,01440
” de ferro 0,00027
” de manganês 0
Óxido de alumínio 0,00168
Índice de alcalinidade 3,6
” ” ” terrosa 2,5

FONTE N.º 3 – ALCALINA

(Alcalino gasosa ferro bicarbonatada mista)

Aspecto Límpido e incolor
Cheiro De hidrogênio sulfurado, quando recentemente colhida
Sabor Acidulado, ligeiramente ferruginoso
Reação Ácida
Reação após fervura Alcalina
Resistividade a 18°C 1057,6 Ohms

INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DA ANÁLISE

Um litro das águas contém em gramas:
Anídro carbônico livre 1,3669
Anidro silícico 0,0385
Cloreto de sódio traços
Sulfato de calcio 0,0102
Bifosfato de potassio traços
Bicarbonatode sódio 0,4207
” de potássio 0,2322
” de lítio traços
” de cálcio 0,3401
” de magnésio 0,3020
” de ferro 0,0510
“ de manganês 0
Óxido de alumínío 0,0024
Amoníaco 0,0011

FONTE N° 4 – FERRUGINOSA

Aspecto Incolor
Cheiro Não tem
Sabor Acidulado, ligeiramente ferruginoso
Reação Ácida
Reação após fervura Alcalina

INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DA ANÁLISE

Um litro das águas contém em gramas:
Oxigênio livre 0,00230 (1,600 c.c.)
Anidro carbônico livre 1,11426 (563,800 c.c.)
Anidro silícico 0,03854
Cloreto de sódio 0,00301
Sulfato de cálcio 0,00653
Bifosfato de potássio vestígios
Bicarbonato de sódio 0,33650
” de potássio 0,29320
” de lítio vestígios
” de cálcio 0,34290
” de magnésio 0,33580
” de ferro 0,09200
” de manganês 0,00045
Óxido de alumínio 0,00108

FONTE N.º 5 – NOVA ALCALINA

(Alcalina gasosa bicarbonatada mista)

Aspecto Límpido e incolor
Cheiro Ligeiramente de hidrogênio sulfurado
Sabor Acidulado
Reação Ácida
Reação após fervura Alcalina
Resistividade a 18ºC 1153/7 Ohms

INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DA ANÁLISE

Um litro das águas contém em gramas:
Anidro carbônico livre 1,1621
Anidro silícico 0,0354
Cloreto de sódio traços
Sulfato de cálcio 0,0030
Bifosfato de potássio traços
Bicarbonato de sódio 0,4298
” de potássio 0,2586
” de lítio traços
” de cálcio 0,3490
” de magnésio 0,2888
” de ferro 0,0490
” de manganês traços
Óxido de alumínio 0,0011
Amoníaco 0,0003

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