Sede Bem-Vindas

Autoria: Fátima Cléu.
Publicado na Folha Nova, nº 1956, em 16 de Janeiro de 1955.
Original, manuscrito, gentilmente cedido por Maria do Carmo Ferreira.

Sede bem-vindas 1Abriram-se os céus,
em torrentes de sóis e cores,
em catadupas de perfumes e de sons,
para surgirem,
de seus umbrais
majestosos,
os Anjos-Bons,
que acabam de chegar a esta cidade,
como sonhos liriais
a prenunciar felicidade.

E, porque viestes,
a aurora se entreabe, mais rutilante,
mais cândida, mais pura;
os ninhos todos cantaram,
sorriram todos os casebres;
entoaram hosanas,
os humildes e os nobres;
floriu, num só instante,
o solo inteiro deste rincão,
e se ajoelhou, enternecido,
em prece para o Alto, o coração dos pobres.

Fé Cristã e Caridade!
Bálsamo sacrossanto
temperado no cálice das rosas,
para os que sofrem, para os que vivem ao léu…
irmãs gêmeas, maravilhosas,
que, a cantar,
nos abrem as portas
do Céu!
-Eis o que nos trouxestes,
Lírios feitos de arminho,
em vossas almas feitas de luar!

Sede bem-vindas 2Sede bem-vindas,
ó Muito Amadas do Eterno,
vós que ides aliviar dores, enxugar lágrimas
e abrandar gemidos,
naquela merencória
Oficina da Purificação!
E ficai certas de que, lá encontrareis,
como carinhosa e augusta
sentinela avançada, o vulto idolatrado
de Manuel Jacinto Ferreira de Brito,
– o excelso, o moderno
S. Vicente de Paulo,
que tudo tem feito
pelos desvalidos, pelos infelizes,
com ternura de pai amantíssimo,
– sem clarins, sem alarde e sem rito…

Entai. É vosso o Templo dos ais!
É vosso o Gólgota cruciante,
onde vai resplandecer a Caridade,
assim como é nossa,
e só nossa,
a ventura de possuir-vos,
santa ventura que não queremos perder,
jamais!

Sede bem-vindas 3E, cheios de celeste júbilo,
a Ação Católica,
a Pia União das Filhas de Maria
e o povo desta terra,
– fidalgos e plebeus –
tecem, neste momento, o mais sublime Salmo,
esmaltado de aleluias,
onde há revérberos
de gratidão, de aromas e de amor,
o qual vai subindo,
como suave Sonata de alegria,
para o Infinito, para Deus!

Sede, sim, bem-vindas,
castas Esposas de Jesus!
Sede, para nós, a Estrela da Bonança,
e, para os deserdados,
consolação, divino afago e resplendente
luz!

Fátima Cléu
Carmo de Minas, 21-12-1954

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