Seja como flor

Palavras perdidas, nem mesmo registradas na parede da memória. Palavras escritas em uma noite, indiferente, na qual você estava alheio à minha saudade, na calmaria de seu sono.
Apenas me lembro que te rascunhei com sentimentos, sem demasiadas edições, palavras saudosas de ter quem se ama por perto.
O peito ardia e eu me revirava na cama… virava… mexia… até que te escrevi. E a ansiedade saiu do meu corpo aflito e se transformou em poesia pra te acarinhar. Quem dera eu mesma tivesse podido te acarinhar.
Experimentei a sensação do alívio, que só o escrever pode causar em mim, como um copo d’água num dia de muito calor, como um abraço quando se está triste ou bem feliz.
Receio que você não saiba disso. Voce nem mesmo sabe que eu trocaria todas as refeições de um dia por uma deliciosa, suculenta e magnífica fatia de abacaxi!
Sofri com essas mesmas agonias durante um tempo que nem mesmo sei quanto. Não me recordo em que momento deixei de sentir felicidade nessas privações desnecessárias e passei a perceber meu coração recusando tudo o que não podia sentir de verdade.
Até que deixei de me prender a velhas fotografias amareladas e passei a querer ter milagres diários de amor, de paz e surpresas. Passei a querer ser como uma pétala que o vento leva e brinca.
Deixei de querer te escrever; as palavras não podem ser forçadas e eu não faria isso com elas.
Não fiz isso comigo.

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