Silvestre Ferraz – Termo

Autoria: Américo Pena.
Publicado na Folha Nova, nº 82,
em 5 de Setembro de 1915.

Do ilustre senador Eduardo Amaral, receberam os srs. Francisco Isidoro e Antonio Coli Filho, dignos presidente e vice-presidente da nossa Câmara Municipal, o seguinte cartão:
“O Eduardo, cumprimentando, comunica em resposta à carta de 15 do p.p. mês, que hoje, com a aprovação pelo Senado à Emenda da Câmara ao projeto n.2, está criado o Termo de Silvestre Ferraz. Congratulações.”
Logo que pela vila circulou a agradável notícia, o povo, reunido no Largo da Matriz, à frente da banda musical, ergueu calorosos vivas ao Governo do Estado, aos ilustres senadores e deputados srs. Eduardo Amaral, João Lisboa, Antero Botelho, F. Botelho, ao diretório político, à imprensa local, às autoridades civis e judiciárias e ao povo de Silvestre Ferraz, subindo ao ar centenas de foguetes, ao som do Hino Nacional. A alegria era geral e comunicativa.
E nós, que destas modestas colunas, unidos com os poderes dirigentes, trabalhamos pela nossa emancipação, apresentamos os nossos agradecimentos aos dignos representantes do povo no Senado e na Câmara, felicitando também o Diretório Político e os cooperadores do progresso desta localidade por esse extraordinário fato.
Silvestre Ferraz é Termo!

Editorial

É belo, é extraordinário o movimento que se nota em Silvestre Ferraz, de um ano a esta parte.
Esta pequena e pitoresca vila está se revestindo toda. A sua aparência já é outra: ruas abauladas, calçadas novas e corretamente alinhadas; serviço de água e esgotos irrepreensível; e uma luz elétrica, que em boa hora se diga, demorou mas veio deslumbrante, podendo se afirmar, sem receio de contestação, que bem poucas localidades de Minas possuem uma luz como a nossa.
As estradas de rodagem, que antes eram péssimas, agora dão lugar até para transito de automóveis, concertadas caprichosamente, com bueiros e com espaço suficiente para desvio de dois veículos, quando em direções opostas.
Sublime progresso esse, que veio sem o grande alarde, sem as grandes fanfarronadas e que transformou a nossa vila de uma maneira admirável. E, à atual Câmara Municipal devemos tudo isso.
Empreendimentos superiores às rendas municipais foram executados, embaraçando, é certo, as suas finanças, porém esses melhoramentos atestam o capricho, a boa vontade e o zelo com que cuidou do município essa distinta corporação, em boa hora eleita.
E as iniciativas particulares que, por efeito dos melhoramentos municipais, estão se manifestando de dia para dia?
Basta que se diga que não há um só oficial, de pedreiro ou de carpinteiro, desocupado na vila. Cerca de cento e tantos operários trabalahm diariamente, quer em novas construções, quer em demolições de velhos prédios que estão sendo transformados, alinhados devidamente, engrinaldando as estética de nossas ruas e concorrendo para o embelezamento da topografia de nossa garbosa vila. Nada menos de seis prédios estão sendo construídos e mais de oito foram demolidos no curto espaço de um mês.
E a nossa Santa Casa, esse colosso que cada dia apresenta-se mais gigante, ora já respaldada, pronta para receber todo madeiramento. Esse soberbo edifício, cuja edificação é toda devida aos esforços do incansável e humanitário clínico Dr. Sizenando de Freitas, provocará, estamos certos, a admiração por parte de todos os que nos visitarem, patenteando em seu deslumbramento a dedicação daquele distinto clínico e a boa vontade do povo que auxilia e continuará auxiliando-o até o final de sua construção.
E como se também não bastasse tudo isso, ali, ao lado da estação, devido aos esforços do adiantado moço progressita Domingos Franqueira, está sendo construído o edifício, já com os alicerces, que vai servir para a fábrica de banha, cujos mecanismos já adquiridos em parte, se acham na vila.
E para completar esse movimento evolutivo, foi aprovada no Senado a emenda da Câmara dos Deputados criando o Termo de Silvestre Ferraz.
É belo, é extraordinário, pois, o progresso que se nota no antigo Carmo do Rio Verde, de um ano para cá.

Américo Pena
Silvestre Ferraz, Setembro de 1915

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