Tardes de Minha Terra

Publicado na Folha Nova, nº 945, 29 de Abril de 1934.

Ó tardes, eu vos esperava, ansiosa,
Para meus infantis brinquedos.
Mais um ano, outro ano… e os sonhos cor-de-rosa
Transformando-se vão, quando passais…

Moça, eu vos contemplava, silenciosa,
Na campina deserta, onde os cristais
De uns olhos compreendiam a mimosa
Oração de outros olhos, feita de ais…

Para mim, fostes sonho que seduz;
No entanto, hoje pesais qual uma cruz,
Nesta saudade que minha alma encerra…

Adora-as, coração, se ainda tens vida…
São soluços de rosa bipartida
As tardes tão azuis de minha terra!

Fátima Cléu
Julho de 1931

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