Tremor de terra nas encostas da Mantiqueira

Publicado pelo jornal “Correio Matutino”,
Rio de Janeiro, 8 de Novembro de 1868.

À uma hora da noite do dia 31 de Julho de 1868, sentiu-se no arraial da Soledade do Itajubá, Província de Minas Gerais, um tremor de terra.
Muitas pessoas que estavam dormindo acordaram sobressaltadas nas suas camas com o forte abalo que sentiram em suas casas e sacudiduras dos leitos em que se achavam. Alguns indivíduos, entre estes o Revmo. vigário Benedito Ferreira de Souza Pinto, saltaram da cama abaixo e abriram as portas para sair para a rua. Os móveis jogaram e caíram garrafas que estavam sobre as mesas; telhas de algumas casas também foram abaixo. O abalo teve a duração de quase um minuto e foi acompanhado de um ruído surdo e longínquo como costuma acontecer quando se aproxima uma chuva de pedras – o céu estava limpo – o ar puro e frio.
Em muitas casas despertaram os seus moradores assustados, julgando que os sacudiam nos leitos e ouvindo o estalar do assoalho e forros.
Horas antes foram vistos muitos meteoros no ar que rapidamente dissipavam.
O arraial está situado a Nordeste da aba da serra da Mantiqueira.
Convém notar que na encosta da serra, a 3/4 de légua do arraial, do outro lado dela, exite na margem esquerda do ribeirão chamado Córrego Alegre um vulcão extinto, que ainda há 3 anos fumegava e queimava qualquer pau que alguns curiosos lá introduziam pela terra fofa, que se assemelha a um grande formigueiro. Algumas pessoas a 2 léguas de distância da freguesia sentiram o tremor de terra.
Do Carmo do Pouso Alto também recebemos o seguinte notícia:
“Na noite de 29 para 30 de Junho, pelas tres horas da madrugada, deu-se nesta freguesia um fato que muito nos impressionou.
Dormíamos tranquilamente quando fomos despertados por um tremor de terra assustador, produzindo um ruído surdo e fazendo estalar e oscilar vários objetos.
Consta-nos que em Pouso Alto fora maior o tremor. Aqui aturára um minuto mais ou menos.”

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