Virgínia Turri

Autoria: João do Rio Verde.
Publicado na Folha Nova, nº 1338,
em 16 de Agosto de 1942.

“João do Rio Verde! João do Rio Verde! Nem à hora da minha agonia posso esquecê-lo. Diga-lhe que morro agradecida.”

Poucas horas após pronunciar, no seu leito de moribunda, estas palavras repassadas da mais sincera gratidão, Dª Virgínia fechou para sempre os olhos, enquanto soluços angustiosos quebravam o silêncio reinante no quarto em que, então, ela agonizava.
E assim exalou o derradeiro sopro de vida aquela alma boa, aquele coração magnânimo, construído dos mais belos sentimentos de caridade e de amor ao próximo. Com ela a nossa bendita terra natal perdeu uma das suas grandes reservas morais; desapareceu com a saudosa morta uma tradição de bondade e de ternura do nosso antigo e querido arraial de Carmo do Rio Verde.
Que belo caráter!
Na sua hora suprema, nos estertores da agonia, manifestou ainda pela última vez o seu profundo reconhecimento pela crônica de amor e de saudade inserta nesta Folha, a 8 de Fevereiro de 1942, em homenagem a seu falecido e pranteado esposo Adriano Turri.
Foi no dia 5 do mês de Julho deste mesmo ano que se deu o passamento dessa estimadíssima carmelitana, pois Dª Virgínia Branco Turri nasceu no Carmo a 8 de Dezembro de 1859, falecendo com 82 anos de idade.
Alguns minutos antes de entregar a sua grande alma ao Criador, ela sorriu alegre e docemente e, numa transfiguração sublime, disse à sua filha amada, debulhada em lágrimas, que o meigo e glorioso Jesus viera buscá-la e que ela já estava pronta e ansiosa para ascender à mansão celestial. E com um sorriso nimbado de doçura a florir nos lábios e com a resignação própria das almas eleitas estampada no rosto, Dª Virgínia partiu para a vida eterna.
Ela levou esculpido no semblante aquele doce sorriso de afeto e de carinho que lhe era tão peculiar.
Adeus, minha boa Siá Virgínia… Aceite este meu coração verdadeiro e profundamente emocionado pelas suas frases comoventes de despedida e de agradecimento. Como é triste pensar que já não a encontrarei no meu querido Carmo. Já não terei as suas palavras afetuosas e confortadoras, revestidas de uma unção maternal. Como é amarga e incompreensível a saudade que irrompe nas nossas almas, quando evocamos uma etapa ditosa da existência que já não voltará.
Lá no céu, nessa região luminosa , onde só resplandecem o sol da verdade e a luz do amor, receba esta tristíssima crônica do seu saudoso

João do Rio Verde
Agosto de 1942

Agradecimento a João do Rio Verde

Autoria: Leônidas Turri.
Publicado na Folha Nova nº 1.340,
em 30 de Agosto de 1942.

Bom Jardim , 21 de Agosto de 1942.
Caro Fernando,
Um abraço. Com amarga e profunda saudade, li e reli a pungente crônica que “João do Rio Verde”, tão amigo e atencioso, teve a bondade de escrever pelas colunas da Folha Nova, sobre a minha inesquecível mãe.
Fernando amigo, quem é esse bom carmelitano que se oculta sob tão emotivo pseudônimo e que tanto toca ao coração da gente, trazendo-nos à lembrança nosso saudoso e legendário Carmo, com as suas figuras queridas que não mais existem?
Aqui, pois, deste meu bucólico Bom Jardim, peço a você que o abrace por mim, como sincera gratidão.
Muito grato, Leônidas Turri.

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